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  • Passagem de autor de "O Pequeno Príncipe" pelo Brasil inspirou filme premiado em festivais
    Quem vai à praia do Campeche, no sul da Ilha de Santa Catarina, passa pela avenida principal: a Pequeno Príncipe. A referência a um dos livros mais vendidos no mundo e que vai completar 80 anos em 2023 não é à toa. A avenida era a pista onde o então piloto Antoine de Saint-Exupéry pousava o avião do correio aéreo francês, nas décadas de 1920 e 1930. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles Por anos, a história foi contada na comunidade de pescadores da região e sempre ativou a imaginação sobre como a passagem pode ter influenciado o francês ao escrever, em 1943, um dos maiores clássicos da literatura. O filme "Dás um Banho, Zé Perri!” passeia pelos cenários onde pousava e passeava Exupéry e brinca com as possibilidades de os traços do livro – que já foi traduzido para mais de 250 idiomas – terem sido rabiscados nas visitas ao sul do Brasil. O curta-metragem percorre o circuito de festivais há seis meses, já levou 11 premiações e teve no mês de junho a primeira estreia mundial em um cinema, em Richmond, no estado da Virgínia (EUA). No Festival Independente de Curtas, de Los Angeles (Independent Shorts Awards), levou medalha de bronze nas categorias de fantasia e diretor estreante, para Zé Dassilva. História recontada Inspirado em toda memória afetiva que a cidade tem pela passagem do escritor de "O Pequeno Príncipe", o catarinense Zé Dassilva escreveu o roteiro há mais de 20 anos e agora estreia na direção com o curta-metragem. "É uma ficção ambientada em Florianópolis naquela época, onde um desenhista quer conquistar uma garota que diz que só vai ficar com ele se o sujeito levá-la para dar uma volta de avião. Para isso, ele manda uma carta para os aviadores franceses – mas, uma carta desenhada, porque ele não conhece o idioma deles”, explica. “Só um outro desenhista seria capaz de entender aquela carta e ir ao Brasil ajudá-lo. E o aviador desenhista que faz isso é justamente Saint-Exupéry", conta o diretor. Zé Dassilva é roteirista de novelas da TV Globo e é daqueles desenhistas que, por onde passam, colocam releituras no papel. E daí vem a conexão de artista para artista: será que assim como o catarinense dos dias de hoje, o francês do século passado também vivia com caderninho e lápis na mão desenhando tudo? Poderia ser aquele planeta distante de "O Pequeno Príncipe" uma ilha da América do Sul perdida no mar? A inspiração, para quem vive rodeado por essa história, nunca termina. No curta, os famosos desenhos de Saint-Exupéry ganham vida na tela e se misturam com a paisagem local. "Os personagens que Saint-Exupéry e o desenhista Celestino encontram ao longo da história fazem alusão ao livro. Até alguns desenhos do livro (feitos também por Exupéry) inspiraram cenas do filme. Construímos até um muro igual ao que Exupéry desenhou no livro, por exemplo." Filmagens em avião especialmente concebido O roteiro que levou duas décadas para sair do papel teve cinco dias de filmagem. O elenco uniu talentos locais com nomes conhecidos nacionalmente: Rodrigo Fagundes, Marcos Veras, Alana Ferri, Isis Pessino, Chico Caprario, Marcelo Perna, Gringo Starr, Severo Cruz, Renato Turnes, Paulo Vasilescu, Sandro Maquel, Arnaldo Braga, Arnaldo Batata e Chico Santos. E em um filme sobre aviador, o avião é essencial. "A gente construiu o primeiro avião cenográfico da história do cinema brasileiro. É um Breguet 14 – que era o avião que Exupéry usava –, feito em tamanho natural pelo escultor Michel Martins, a partir do projeto original”, afirma Dassilva. “Esse é um curta que teve dificuldades de longa. Cada cena era com atores diferentes, em uma locação diferente, a maioria delas externas e teve até cena em mar aberto." Para entender o título: Dás um banho, Zé Perri! Quem nasce em Florianópolis é carinhosamente chamado de “manezinho da Ilha” e, no vocabulário manezês local, com sotaque herdado da Ilha dos Açores, "Dás um banho" é uma expressão usada quando uma pessoa faz algo extraordinário – mas pode ser dita com tom irônico também. Já Zé Perri era como os pescadores chamavam o aviador. Claro, eles não falavam francês, assim como Exupéry não falava português, mas todos se entendiam e cultivaram uma bela amizade. E quem sabe foi lá que o escritor aprendeu também que o essencial só pode ser visto com o coração? Nas histórias dos pescadores, ficou provado que o aviador cativou a comunidade e será eternamente responsável por isso, permitindo todos os trocadilhos. O filme ainda não estreou no cinema no Brasil – teve apenas uma sessão especial no aeroporto de Florianópolis.
    7/3/2022
    5:55
  • Brasileiros enfrentam dificuldades para pedir a autorização eletrônica que permite entrada no México
    Centenas de turistas brasileiros com viagens marcadas para o México estão sendo prejudicados por falhas no site do Instituto Nacional de Imigração. Larissa Werneck, correspondente da RFI no México Adriana Maia, esteticista de Natal, no Rio Grande do Norte, está com passagens compradas para Cancun, para o próximo dia 23 de junho. O objetivo da viagem é levar os filhos Ana Vitória, de 15 anos, e Adrián, de 5, para reencontrar o pai, que é mexicano. Por causa da pandemia da Covid-19 eles estão há um ano e três meses sem se ver. “Minha filha escolheu essa viagem para comemorar os 15 anos dela. E meu filho mais novo não conhece os avós. A expectativa está muito grande”, conta ela. No entanto, a ansiedade para o encontro está ainda maior por causa da dificuldade que Adriana, e outras centenas de brasileiros, estão encontrando para retirar a autorização eletrônica que permite a entrada no país. “Faz uma semana que estamos tentando. Eu estou dormindo só três horas por dia, minha filha já está chorando. Eu cancelei dez dias de atendimento aqui na minha clínica, comprei roupa para as crianças, a gente gasta muito com viagem. E eu estou muito abalada, não por mim, mas pelas minhas crianças”, diz Adriana.  Autorização eletrônica é uma exigência desde dezembro de 2021. Desde 2013, o México não solicitava vistos para os brasileiros que chegam ao país por via aérea, assim como o Brasil não solicita vistos para os mexicanos. Mas, esse acordo entre os dois países mudou no dia 11 de dezembro do ano passado, quando as autoridades migratórias do México passaram a exigir uma autorização eletrônica para brasileiros entrarem no país, o que permite que os turistas permaneçam em território mexicano por até 180 dias. O documento é necessário para todos os brasileiros que queriam visitar o México, exceto para os que têm visto válido ou residência permanente no Canadá, Estados Unidos, Japão, Reino Unido ou países que pertencem ao espaço Schengen (Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia e Suíça). Na época, o governo mexicano informou que o novo protocolo foi criado para  “responder ao aumento substancial de brasileiros que entram no país para outra finalidade que não o turismo”, numa referência às pessoas que chegaram ao México para tentar atravessar a fronteira com os Estados Unidos de maneira irregular. Problemas no site e nos consulados. A autorização é gratuita e deve ser solicitada no site do Instituto Nacional de Imigração. Mas, há cerca de dez dias o sistema está apresentando problemas técnicos, e turistas com passagens compradas para os próximos dias não estão conseguindo processar o pedido, que deve ser feito com o máximo de trinta dias antes da data da viagem. Por causa do problema, a orientação é que os turistas procurem os consulados do México no Brasil para pedir o visto impresso no passaporte, que custa 48 dólares, o que equivale a cerca de 235 reais, e tem validade de seis meses. No entanto, pelo aumento da demanda, os brasileiros não estão conseguindo agendar as entrevistas para solicitar o documento. Silvia Ferreira Lima, de São Paulo, foi uma das que não conseguiu horário de atendimento no consulado. Com viagem marcada com a família para Cancun para o próximo dia 23 de junho, ela precisou fazer uma verdadeira força tarefa para conseguir a autorização eletrônica. “É um sonho de família. A minha irmã já conhece e se encantou, e quando teve a oportunidade de a família inteira tirar férias nós compramos a passagem. Mas foi lá no início da Pandemia e já adiamos duas vezes. Estamos tentando o visto eletrónico há quinze dias e fomos no consulado e não conseguimos. Nós estamos em uma maratona de sete computadores. A gente começa às duas da tarde e vai até às duas horas da manhã.”, explica Sílvia que, felizmente, conseguiu, nesta sexta-feira, emitir a autorização para todos os familiares. Governo brasileiro está acompanhando a situação. Em nota oficial publicada no site do Ministério das Relações Exteriores e também nas redes sociais, o governo brasileiro informou que o Itamaraty está “acompanhado com preocupação os relatos de centenas de brasileiros impossibilitados de tramitar a autorização eletrônica para ingressar no México” e que está em diálogo com as autoridades migratórias do país, além da Secretaria de Relações Exteriores e da Secretaria de Turismo, para resolver o problema.
    6/20/2022
    4:29
  • Especialista em organização de casas, brasileira conquista espaço na TV pública portuguesa
    Quando Márcia Cunha chegou a Portugal, 17 anos atrás, nem imaginava que o gosto por deixar tudo no seu lugar a transformaria numa bem-sucedida especialista em organização. Há cinco anos, a maranhense de Imperatriz mostra o que faz num programa da TV pública portuguesa. Fábia Belém, de Lisboa Ela conta que, desde criança, tinha “mania” de organização. “Alguns me diziam que eu era antipática, que ninguém podia mexer em nada. Os meus irmãos diziam que eu tinha um TOC [Transtorno Obsessivo-Compulsivo].” Casada e mãe de dois filhos, Márcia dedicou-se exclusivamente à família, mas, há cinco anos, descobriu que o gosto por organizar tudo poderia abrir as portas do mercado de trabalho. “Eu vi que havia cursos e formações pra ser uma profissional de organização, que existia essa profissão”, relata. Quando decidiu trabalhar com o que tanto gostava, Márcia saia da cidade do Porto, onde mora, e ía para Lisboa, onde fazia os cursos. Aprendeu técnicas de organização profissional e também como construir o seu próprio negócio. Tornou-se especialista em organizar todos os cantos de uma casa e ajudar pessoas a colocarem o lar em ordem, de uma maneira funcional. Consultoria online e workshops Márcia destaca que cerca de 90% dos clientes “têm excessos de coisas”. “Têm coisas que compraram e ainda estão com etiqueta há anos, que nunca usaram, que nem se lembravam e voltaram a comprar. Muitos medicamentos fora do prazo de validade, que não são usados, mas que ainda continuam lá. Na zona de cozinha, quanta coisa já foi desperdiçada porque as pessoas foram comprando, comprando, e não sabiam que tinham, e aquilo foi se perdendo”, afirma. Márcia Cunha passou a oferecer consultoria online. As sessões, que geralmente duram uma hora, já chegaram a clientes que moram nos Açores, na Madeira, Espanha e Suíça. “Por videochamada, eu digo: ‘Olha, você coloca essa caixa ali, você usa esse cesto aqui, você põe esses pratos no outro lado do armário”, exemplifica. A organizadora profissional também apostou na promoção de diversos workshops: organização de closet, de cozinha, de quarto de crianças. "Às vezes, eu faço workshop só de dobras”, ressalta. "Eu acho que é importante as pessoas perceberem que a organização não é um bicho de sete cabeças.” Televisão O talento para pôr ordem nas casas levou a brasileira para a TV. Durante um workshop, foi descoberta pela produção do “Praça da Alegria”, programa da RTP1, o principal canal da TV pública portuguesa. “Para mim, foi um desafio muito grande. Eu tive muito receio, fiquei com medo, e disse: 'eu não sei se vou conseguir. Será que é uma boa ideia?’. Mas eu fui. Eu fui muito com a cara e a coragem”, lembra. Inicialmente, Márcia foi convidada para dar dicas de organização de residências. Só que a maranhense fez tanto sucesso que acabou sendo chamada para ter uma participação regular no “Praça da Alegria". Era o primeiro ano dela como especialista em organização, e demonstrar na TV o que fazia impulsionou a carreira: mais pessoas a procuraram para abrir as portas das suas casas. “Quando eu entro na casa de uma pessoa, eu tenho acesso à intimidade da pessoa, ganho confiança das pessoas. O “Praça da Alegria” é um programa que tem um nome, uma estabilidade muito grande. É um programa que está no ar há muitos anos”, salienta. “De repente, o meu Instagram começou a 'chover' de gente pedindo informação. Eu diria que 70%, 80% dos meus clientes vieram através do Instagram.” A maranhense explica que o trabalho que realiza vai muito além de pendurar roupas por cores e dobrar peças respeitando medidas. “O meu trabalho é também fazer as pessoas perceberem que o excesso de coisas causa ruído na vida e na rotina delas. Gosto sempre de dizer que as pessoas precisam olhar a organização como um estado de saúde", comenta. 'A nossa casa tem um poder extraordinário de mudar o nosso sentimento de alegria ou de tristeza. O estado da nossa casa reflete muito na nossa vida”, afirma a especialista.
    5/28/2022
    5:00
  • Brasileira na Suécia acolhe família ucraniana e relata aprendizados da experiência
    Os caminhos da escritora brasileira Ilana Eleá e da jornalista ucraniana Olena Galaguza se uniram há cerca de dois meses. Baseada na Suécia há 11 anos com a família - e com filhos nascidos no país nórdico - Ilana sofria ao ler notícias da guerra, que começara havia pouco, e se perguntava como ajudar ativamente o povo ucraniano. Até que um dia seu marido, Johan, viu um anúncio que mudaria o destino de sua família.  Por Paloma Varón, para a RFI  "No início da guerra, eu fiquei mal, lia obsessivamente as notícias desta guerra absurda que acontece aqui 'do lado e cheguei a chorar por semanas. A gente tem uma casinha idílica no jardim que costumava alugar. Assim que o estudante que a ocupava deixou a casa, meu marido leu no LinkedIn que uma empresa tinha acabado de contratar uma jornalista ucraniana e que ela precisava de um lugar para morar, para ela, sua mãe e sua filha, de seis anos. Foi aí que a gente pensou: 'Aqui a gente pode ajudar'", conta Ilana, que também tem uma filha de seis anos, além de um menino de dez.  Ilana relata o inesquecível primeiro contato com a família que acolheu: "Eu nuca vou esquecer quando a van, com placa da Polônia, aqui chega, com refugiadas da guerra, e na hora em que a porta abre, Lina, maravilhosa nos seus seis anos, com um bichinho de pelúcia na mão, começa a correr com um sorriso incrível, começa a querer explorar já aqui na rua, os montes verdes, e me diz: 'Hello'. Quando eu olho, muito emocionada; eu vejo que cada uma vem com apenas uma bagagem de mão, mas com uma dignidade e um sorriso que eu nunca vou esquecer." Olena sabe que tirou a sorte grande: "Nós somos muitos sortudas de tê-los como anfitriões e de sentir a ajuda sincera deles. Ilana sempre pergunta como ela pode ajudar com esta guerra em meu país. Ela faz questão de estar ali, de fazer amizade com a gente, e é tão maravilhoso que a minha filha que não fala sueco nem inglês possa se comunicar com a filha de Ilana, elas são amigas, parecem irmãs". Assim como a maioria dos refugiados de guerra, o caminho de Olena e sua família foi longo e tortuoso até chegar a Estocolmo, em 29 de março. Elas deixaram a cidade de Zhytomyr e passaram por várias localidades na Ucrânia até chegar na Polônia, primeiro país que as acolheu. Mas ela tinha um objetivo: voltar a ter um trabalho, uma rotina. "Eu vim para a Suécia por uma única razão: eu achei um trabalho aqui. Quando eu estava na Polônia, eu mandei meu currículo para diferentes empresas e a primeira que concordou em cooperar com a minha situação de refugiada foi a Megadeals. E foi realmente um bom negócio para mim vir para a Suécia. Eu sou muito grata a Ilana e seu marido Johann, que me ajudaram muito com a casa, porque eu sei que é muito difícil achar um lugar para morar em Estocolmo", conta Olena.  Mesmo chegando com emprego e tendo uma casa para morar, Olena tem de lidar com outras questões ligadas à imigração, mas, quando se trata de refugiados, elas são ainda mais específicas.  "Quando eu vim para a Suécia, e já tem quase dois meses, eu me dei conta de como é tremendamente difícil lidar com a burocracia quando se é refugiado. Eu ainda não tenho um número de identidade pessoal – e refugiados têm o chamado número de coordenação. O escritório de imigração perdeu minha foto e impressões digitais, que são obrigatórios para a biometria. Nós estamos bem, mas essa espera para ter direito a um número de identidade, uma vaga na escola é desgastante e estressante", diz.  Seu ex-marido e pai de sua filha ficou na Ucrânia, onde luta contra a invasão russa, mas se comunica com elas por vídeochamada. Nas ligações, Lina mostra a sua nova casa, o jardim e sua amiga Liv.  Ao falar sobre seus planos daqui para a frente, Olena se emociona: "Quando você vive em paz, você faz planos para a sua vida. Mas quando a guerra chega ao seu país, é muito difícil de prever o dia de amanhã. No meu primeiro dia na Suécia, ainda estava no escritório de imigração, eu recebi uma chamada para avisar que o meu melhor amigo tinha sido morto. Foi um choque enorme para mim".   Mas a jornalista disse que pretende aprender sueco e se desenvolver no país de asilo, pois não sabe quando poderá voltar à Ucrânia. O próximo desafio é adaptar sua filha, que acaba de conseguir uma vaga na escola. "Eu respeito a Suécia e sua cultura, e o respeito é mútuo, diferentemente da Rússia; que odeia os outros", declarou.  Para Ilana, as crianças - as suas, a Lina e as do bairro - ajudaram na integração da família."Desde os primeiros dias tem um laço muito forte sendo trançado pelas nossas famílias e uma das chaves são as crianças". Ela contou à RFI histórias interessantes, como a alegria do filho Dante, de dez anos, quando conseguiu a carta da Ucrânia - muito disputada na Suécia - num álbum que ele coleciona e, a primeira coisa que fez foi corer para oferecer à sua amiga Lina; ou que seus filhos paravam de jogar videogames de guerra quando Lina entrava na sala.  "Um dia, a Lina chega para mim e me diz 'telefone' - ela pede para usar o Google Translate quando não consegue se comunicar por gestos. Eu dou o meu telefone para ela, que grava uma mensagem e abraça a minha filha, Liv. Quando eu vejo a tradução, ela tinha dito: 'A Liv é como uma irmã para mim", conta Ilana, emocionada.  Além disso, Ilana diz que ter aberto as portas de sua casa para uma família ucraniana lhe traz aprendizados diários. "A convivência com elas traz aprendizados em muitos níveis. Penso que seja possível recomeçar mesmo com esses estilhaços na alma, que as crianças são dínamos de paz, que democracias estão sob ameaça, que fake news são pragas indomáveis, que linhagens de mulheres não querem e não fazem a guerra, essa linguagem do horror não nos pertence. E que redes de afeto são formas de luta e de resistência, mesmo que singelas", completa a escritora, que teve a sua história de acolhimento de refugiadas contada no jornal sueco Söderort.
    5/21/2022
    5:19
  • Casa do Brasil de Lisboa comemora 30 anos de existência
    A Casa do Brasil chega a três décadas de atividades como a maior associação da comunidade brasileira em Portugal, onde residem, legalmente, cerca de 210 mil brasileiros, que representam a maior comunidade migrante no país. Para os próximos anos, um dos desafios da Casa do Brasil de Lisboa é ser um espaço de todas as nacionalidades.  Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa Associação de imigrantes sem fins lucrativos, a Casa do Brasil de Lisboa foi criada em 1992 por um grupo de brasileiros e portugueses que discutiam a regularização dos profissionais que chegavam do Brasil. Eram “publicitários, dentistas, que tinham essa dificuldade de reconhecimento da profissão” em Portugal, conta Cyntia de Paula, presidente da Casa.  Desde então, a grande missão da Casa do Brasil é a garantia de direitos às pessoas migrantes de todas as nacionalidades. Além disso, a associação tem um trabalho muito forte na “luta contra todos os tipos de discriminação, contra o racismo, a xenofobia e outros sistemas opressores como o machismo, a LGBTfobia e tantos outros”, destaca de Paula. Orientação e encaminhamento A sede da Casa do Brasil fica no Bairro Alto, localizado na parte antiga e central da capital portuguesa. Tem quase 6 mil associados e atende cerca de 2 mil pessoas por ano. Para isso, conta com nove funcionários e quinze voluntários. Parte da equipe trabalha no Gabinete de Orientação e Encaminhamento (GOE), criado para ser fonte de informação segura para quem chega a Portugal. O gabinete "auxilia a pessoa migrante que chega e que precisa de informações mais variadas para desvendar o que é ser imigrante”, diz Cyntia. O GOE oferece, por exemplo, informações sobre regularização, legalização e direitos trabalhistas em Portugal, além de orientar migrantes a como ter acesso a serviços de saúde, educação, segurança social e muitos outros. Apoio ao emprego Para os migrantes que buscam trabalho, a Casa do Brasil também dispõe do Gabinete de Informação Profissional (GIP). “Além de ajudar a entender o mercado de trabalho português, [o GIP] auxilia na busca de vagas, na elaboração de currículos, na preparação de entrevistas de trabalho, faz esse match com as empresas, também com formações, diálogo com as ordens profissionais”, explica a presidente da associação. Ativismo Para garantir os direitos das pessoas migrantes, a Casa do Brasil de Lisboa organiza sessões informativas, promove campanhas e reuniões e cria muitos projetos que contribuem para a integração, como o que orienta brasileiros que estão no Brasil e que planejam migrar, e o que promove o combate ao discurso de ódio. Cyntia de Paula também chama a atenção para o que a associação tem feito no campo do ativismo. "Há toda uma participação em termos de reivindicações políticas, de melhoria para a vida das pessoas migrantes, desde que nos posicionarmos nas questões dos feminismos, do racismo e das múltiplas discriminações como um todo, desde o nosso diálogo muito constante com os diferentes governos que já passaram nesses 30 anos da Casa do Brasil”, resume a presidente da associação.  Cyntia lembra que, em 2003, a Casa teve um papel muito importante no que ficou conhecido como “Acordo Lula”. “Foi um ato de ativismo e de lobby. Foi um acordo que possibilitou que mais de 20 mil pessoas do Brasil se regularizassem porque, nessa época, ainda não tínhamos uma lei de migração, em Portugal, nos moldes em que temos hoje.” Vertente artística No campo das artes, a Casa tem procurado ser um espaço de acolhimento e convívio de pessoas que trabalham com diversas manifestações artísticas. Tem sido palco para sessões de filmes, exposições, trabalhos literários e aulas de dança. “Todas as semanas temos aulas de forró, de samba, de expressão corporal, de salsa”, completa Cyntia, que faz questão de esclarecer que a programação da Casa “não está focada na cultura brasileira; ela está focada na cultura como um todo. “ Mudanças Nos últimos anos, a Casa do Brasil de Lisboa tem passado por mudanças, inclusive com a presença mais forte de mulheres na equipe de trabalho, o que, segundo a presidente da associação, tem sido muito importante “porque temos trazido um olhar na perspectiva de gênero”. Cyntia de Paula é a terceira mulher a presidir a Casa desde a sua criação. Além de mais espaços ocupados por mulheres, a Casa do Brasil também ganhou um novo modelo de atendimento, que permite chegar aos migrantes que vivem longe de Lisboa. “Construímos um atendimento à distância, que antes não tínhamos. Ou seja, a pessoa já não precisa vir, necessariamente, à nossa sede. Já fazemos atendimento via e-mail, via telefone, via WhatsApp, via Zoom”, afirma de Paula, com entusiamo. Desafios Há quatro anos na presidência da Casa do Brasil de Lisboa, Cyntia reconhece que há desafios para o futuro. Um deles é reforçar o apoio para o surgimento de mais associações, para que haja mais coletivos. "Poderia ser muito mais, muito mais movimentos associativos pelo país afora", vislumbra.   De Paula também planeja tornar a Casa um espaço forte de presença de migrantes de todos os cantos. “Eu quero que a Casa seja um espaço de representação de todas as pessoas. Não só brasileiras. Que as pessoas possam ver a Casa como, também, um espaço do seu trabalho, da sua luta, e de todas as lutas. Que o movimento feminista, que o movimento LGTBQIA+, que o movimento antirracista e outros também encontrem dentro da Casa o seu lugar. Eu acho que esse também é um grande desafio para os próximos anos”, pontua.
    5/15/2022
    5:48

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