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  • Festival Sundance de Cinema começa em Los Angeles com estreia de filme brasileiro "Marte Um"
    O Festival Sundance de Cinema, uma das principais janelas para os filmes independentes do mundo, começou na madrugada desta sexta-feira (21) em Los Angeles. Um filme brasileiro, do diretor Gabriel Martins, foi selecionado pela curadoria para o dia de abertura. O longa “Marte Um” inaugurou a sessão World Cinema. O filme conta a história dos Martins, uma família de classe popular da periferia de Belo Horizonte. O pai trabalha como porteiro, a mãe é diarista e vive de faxinas, a filha mais velha, Eunice, está cursando direito e o pequeno Deivi tem a esperança dos pais em uma vida melhor depositada em seu talento para o futebol. Deivinho, no entanto, tem outros planos, quer ser astrofísico e ir ao espaço. E a jovem Eunice vai enfrentar a desaprovação da família ao se apaixonar por outra mulher. O conflito e os sonhos desta família periférica se passam no final de 2018, logo após a eleição do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro. O ambiente político “é um pano de fundo, mas a turbulência interfere principalmente no personagem da Eunice, que é uma garota que ama outra garota”, explica o diretor Gabriel Martins. O roteiro, que foi realmente gravado neste período, recebeu poucos retoques para se adequar ao momento político. “Este é um filme sobre duas gerações tentando se conciliar”, resume. “Eu acho que isso também tem a ver com o que o Brasil já vinha vivendo e continua vivendo, um momento de conflito entre gerações, entre ideologias, entre desejos.” Com uma narrativa dramática clássica que coloca em cena as classes populares, Martins vê “Marte Um” como um filme que segue os traços do Cinema Novo, principalmente dos longas de Nelson Pereira dos Santos e de Léon Hirschmann. Sonhos de uma nova geração negra O longa de Martins se passa na periferia de Belo Horizonte e leva às telas do cinema uma face do Brasil menos representada: aquela em que um garoto negro se projeta no mundo da ciência e sonha virar astrofísico. “Este sonho me pareceu muito bonito. É um rompimento de barreiras que tem muito a ver também com essas novas gerações. Eu acho que hoje em dia este lugar da ciência é um lugar de maior apropriação por classes populares. O que tem a ver com a história recente do Brasil de acesso à faculdade”, conta Martins, fazendo referência às políticas afirmativas de entrada em universidades públicas. Foi também por uma política afirmativa que “Marte Um” foi financiado. Em 2016, o roteiro foi um dos três ganhadores de um edital voltado para diretores e criadores negros do extinto Ministério da Cultura. O edital foi o primeiro e único de seu tipo. “Isso é bem sintomático do descaso que vivemos no Brasil sobre políticas públicas para o audiovisual. A gente vive um momento de muita precariedade e descaso, e o futuro do cinema brasileiro está sob ameaça”, critica Martins, fundador da produtora Filmes de Plástico. Sem editais de financiamento, ele conta que, após a promoção de “Marte Um”, não tem previsão de qual será seu próximo filme. Por enquanto, Martins aproveita as portas abertas pelo Festival Sundance. O filme será distribuído pela Magnolia Pictures Internacional e deve estrear no Brasil ainda em 2022, após passar por outros festivais. Festival Sundance O festival independente Sundance acontece neste ano com sessões virtuais e presenciais, por conta da Covid, e vai até 30 de janeiro. Na sessão internacional de documentários, há ainda uma coprodução brasileira “The Territory”, de Alex Pritz (Brasil/Dinamarca/EUA), que mostra a invasão e o conflito por terras indígenas na Amazônia. E para a sessão New Frontier, foi selecionado o brasileiro “Flat Earth VR”, de Lucas Rizzotto.
    1/21/2022
    5:55
  • Carimbó: ritmo de herança afro-indígena é tradição no Pará
    Passos e volteios de uma dança vigorosa e sinuosa, ao som de tambores frenéticos, permeiam o carimbó, um ritmo musical típico da região Amazônica, principalmente no Pará. As mulheres usam saias rodadas e os homens vestem camisas coloridas, com temas que remetem à natureza. Patricia Moribe, especial de Alter do Chão* Estamos à beira do rio Tapajós, um dos principais da bacia Amazônica. Em Alter do Chão, um pequeno distrito de menos de sete mil pessoas, a 40km de Santarém, o carimbó é um dos ingredientes charmosos desse local que já entrou no guia de mais belas praias de jornais como o britânico The Guardian. Mas o carimbó é um elemento noturno, importante no pacote turístico de Alter do Chão. Às quintas-feiras, os tambores chamam locais e turistas para a praça central. Uma enorme roda se abre e dezenas de pessoas se lançam nos rodopios e passos que lembram a capoeira. “Carimbó é um ritmo afro-indígena que existe aqui na Amazônia há muito tempo. Ele tem como um dos pais o gambá, que a gente encontra na região de Maués e aqui na região do Tapajós. O carimbó é uma mistura, dependendo da região, o sotaque muda. Na nossa região é o carimbo praiano, indo para Belém é o carimbo do salgado, com algumas características diferentes”, explica Hermes Caldeira, do grupo Kuatá. Regiões dão sotaques diferentes A palavra carimbó vem do tupi korimbó, uma planta que é a matriz do tambor artesanal curimbó. O ritmo também é conhecido como pau e corda, samba de roda do Marajó ou baião típico de Marajó. Ou seja, vai variando ao longo das águas pela Amazônia, mudando percussões e sotaques. O carimbó foi reprimido por séculos, inclusive tendo sido proibido na capital Belém em 1880, como forma de evitar desordem pública. O gênero foi se diversificando, absorvendo influências e virando inspiração para ritmos contemporâneos como a lambada e o tecnobrega. O carimbó entrou para a lista do patrimônio cultural imaterial do Brasil em setembro de 2014. O ato foi aprovado por unanimidade no conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Reconhecimento Esse reconhecimento foi muito importante, avalia Hermes Caldeira. “A partir daí começou o processo de salvaguarda desses elementos: instrumentos, linha de dança e da própria musicalidade do carimbó. São vivências. O próprio músico, quando vai caçar, dali ele tira uma música. Carimbó é uma forma de se expressar, falar das coisas que a gente tem aqui”. A pandemia afetou bastante o carimbó e toda a estrutura voltada ao turismo que vem sendo montada há alguns anos. “Tínhamos apresentações marcadas em Belo horizonte e aí veio a Covid-19. Ficamos um ano e meio sem nos apresentar em locais públicos. Somos formadores de opinião e resolvemos pelo resguardo”, conta Hermes Caldeira. *A repórter viajou à região a convite da Ong Zoé
    1/14/2022
    5:11
  • Museu Carnavalet mergulha na relação de Proust com Paris para celebrar os 150 anos do escritor
    Depois de uma gigantesca reforma que durou cinco anos, o Museu Carnavalet abre os trabalhos de um ano dedicado ao gênio de Marcel Proust na capital francesa, com duas efemérides de peso em 2022: os 150 anos de nascimento e os 100 anos da morte deste escritor francês criado na efervescência da rive droite parisiense do fim do século XIX. A exposição Marcel Proust, um romance parisiense, retraça os passos do escritor na capital, seguindo os do protagonista de Em Busca do Tempo Perdido. Márcia Bechara, da RFI A curadora da exposição Marcel Proust, um romance parisiense no Carnavalet, museu dedicado à história de Paris, Anne-Laure Sol, explica que a mostra é dividida em duas partes principais, entre a realidade da Paris habitada pelo escritor e aquela imaginada por seus livros. "A primeira parte da exposição é, em parte, biográfica, e se interessa pela vida de Proust em Paris, depois da chegada de sua família materna na capital francesa no começo do século XIX", aponta.  "É uma família judia, que chega da Alsácia, e essa parte biográfica vai até a morte do escritor, no 6° distrito da capital. O percurso museográfico é organizado seguindo os diferentes domicílios da família de Marcel Proust, e os seus após a morte de seus pais, e isso nos permite juntar os pedaços de sua vida e entender melhor sua formação estética, suas relações profissionais, seus amores. Isso nos permitiu mostrar também em que Paris viveu Proust", explica Sol. Um homem da "Rive Droite" A exposição no Museu Carnavalet contextualiza a dimensão decisiva de Paris no despertar da vocação literária de Marcel Proust, desde seus primeiros textos no final da década de 1890 com seus colegas do liceu Condorcet, até sua entrada na alta sociedade parisiense. "É muito interessante observar que Proust era uma homem da rive droite", diz a curadora, fazendo referência à margem direita do Sena, rio que corta a cidade de Paris em rive gauche (esquerda) e droite (direita). "Ele vivia em torno de um perímetro pequeno, no 8° distrito. A aristocracia francesa durante muito tempo viveu na rive gauche, do lado esquerdo, era mais prático para ir a Versalhes e encontrar a Corte", detalha Anne-Laure Sol. "Sob o império de Napoleão 3°, essa elite parisiense vai se instalar do lado direito do rio, porque era uma Paris mais moderna, com grandes avenidas e espaços para mansões, e acontece então esse deslocamento da elite da capital no meio do século XIX para o oeste de Paris e a margem direita do Sena", lembra a curadora da exposição. O quarto de Proust Cerca de 280 obras, entre pinturas, esculturas, fotografias, maquetes arquitetônicas e vestimentas, manuscritos e documentos de arquivo, de coleções públicas e privadas, evocam o universo parisiense de Marcel Proust, oscilando entre a realidade e a reinvenção. Um dos colecionadores que foram interlocutores ativos da curadora Anne-Laure Sol, do Museu Carnavalet, foi o brasileiro Pedro Corrêa do Lago. "Gostaria de agradecer a participação deste colecionador tão erudito e tão importante para esta mostra", sublinhou a francesa. Lago é historiador da arte e o colecionador brasileiro que reune o maior acervo particular de cartas e manuscritos originais do mundo. "Nós conservamos o quarto de Marcel Proust graças a doações destes bibliófilos. Há a sua cama, mas também uma certa quantidade de objetos que lhe pertenciam. Trata-se da cama onde ele redigiu o essencial de Em Busca do Tempo Perdido, que é também a cama onde ele morreu", diz Anne-Laure Sol, que também coordena o patrimônio do Museu Carnavalet. "[A cama] É um objeto particularmente emocionante e a colocamos no centro do percurso dessa exposição para que as pessoas se deem conta que entre a Paris biográfica e real e a Paris ficcional recriada pelo escritor, na segunda parte da exposição, existe esse quarto, que é o laboratório dessa criação", diz. Em Busca do Tempo Perdido A segunda parte da exposição se abre sobre a Paris fictícia criada por Marcel Proust, seguindo a arquitetura do romance Em Busca do Tempo Perdido através de lugares parisienses emblemáticos, e oferecendo uma viagem pela obra e pela história da capital francesa, focalizando os principais protagonistas do romance. “Quisemos oferecer ao público uma viagem pelos principais lugares presentes no Em Busca do Tempo Perdido”, diz Sol. “Nos interessamos pelos valores simbólicos desses lugares de iniciação de Proust. Fomos em busca desses lugares míticos, o Bois de Boulogne, a Champs Elysée, o Faubourg de Saint-Germain, qual a relação do herói do romance com esses lugares e, sobretudo, como o escritor demarcava a questão da passagem do tempo,  contando a transformação da cidade”, diz a curadora. "Proust se mostra verdadeiramente um produto desta cidade parisiense, desse ambiente sociocultural único no mundo do fim do século XIX, Paris estava então no apogeu de sua dominação cultural", pontua Sol. "O escritor leva no centro disso tudo uma vida extremamente mundana e sabe também perceber o declínio desse mundo. Observando o romance proustiano, vemos que ele se interessa em descrever uma sociedade que vai desaparecer com a guerra no fim do século", conta a curadora. A exposição Marcel Proust, um romance parisiense fica em cartaz no Museu Carnavalet até o dia 10 de abril de 2022.
    1/7/2022
    6:19
  • Ariane Mnouchkine apresenta "As comadres" com 20 atrizes brasileiras na França
    Na periferia do Rio de Janeiro, 20 mulheres entre 22 a 89 anos se reúnem em uma cozinha dos anos 1960, neste texto cult do premiado canadense Michel Tremblay. Germana, que ganhou um milhão de selos para compras na loteria, tem que colá-los em um catálogo para reformar sua casa, e para isso chama as "comadres", num musical que retrata a condição feminina contemporânea e que traz a assinatura de Ariane Mnouchkine, em sua primeira produção inteiramente concebida fora do Théâtre du Soleil. Márcia Bechara, da RFI Ela prometeu, e cumpriu. Quando o setor cultural brasileiro começou a se desesperar com os primeiro cortes e censuras ainda em 2018, logo após a eleição de Jair Bolsonaro, a célebre diretora francesa e fundadora do Théâtre du Soleil, Ariane Mnouchkine, declarou à RFI, numa entrevista direto do Japão, que pretendia "produzir artistas brasileiros e ajudá-los a se apresentarem na França".  Em 2019, portanto, começa a aventura de "As Comadres" ["Les Belles-Soeurs", no título original em francês], uma adaptação musical do texto original do famoso autor canadense Michel Tremblay, sucesso dos anos 1970 que Ariane assistiu em Paris, em 2012, no Théâtre du Rond-Pont na adaptação musical de Daniel Bélanger, com direção de René Richard Cyr. Apoiando-se fielmente nessa encenação, Mnouchkine levou as atrizes a se apropriarem das situações, para dar vida à história. Modesta, Mnouchkine optou por assinar, na versão brasileira, apenas a "supervisão artística" da peça, que é fiel à mis-en-scène de Richard Cyr. Uma particularidade chama a atenção nesse texto original de Tremblay, que rompe com os paradigmas do teatro canadense do Québec da época, extremamente elitista e ligado aos clássicos franceses: o texto original é todo escrito em "joual", espécie de dialeto da região, mistura do francês com expressões locais e um fortíssimo sotaque característico e imediatamente reconhecível pela comunidade francófona. Para a atriz e tradutora do texto para o português Julia Carrera, o desafio foi enorme. "Foi uma grande questão quando a gente começou a fazer o trabalho sobre o texto dessa peça. Que língua seria similar ou uma possibilidade para esse 'joual' para a qual não temos um similar brasileiro", lembra. Confira a reportagem da RFI nas "entranhas" do Théâtre du Soleil: "Então a Ariane me orientou a procurar palavras de várias regiões, a suprimir letras e sons dentros das palavras [em português], e a encontrar essa forma brasileira de dizer essa peça, sem que ela ficasse totalmente carioca, mesmo que a maioria do elenco seja do Rio de Janeiro. Mas que a gente pudesse encontrar também as personalidades desses personagens nessa linguagem", conta Carrera.  Para a atriz Fabianna de Mello e Souza, o texto de "As Comadres" tem muito a dizer para as plateias de 2021. "Existe uma grande evolução na luta do movimento das mulheres por representatividade, respeito, igualdade, mas ainda há um trabalho enorme por vir, sobre todas as questões, como as relações abusivas, o trabalho doméstico, a opressão, o aborto, a religião, a maturidade. Ainda temos muito a avançar. Essas questões representam as mulheres, brasileiras ou mundiais", acredita a artista, que também é coordenadora de produção do espetáculo. Para a atriz Sirléia Aleixo, a "aventura mágica do teatro" continua em 2021 na Cartoucherie da floresta de Vincennes, na região parisiense. "Tem sido tudo uma experiência muito feliz. Muito aprendizado, muito frio [risos]... Está sendo tudo muito gratificante, parece que é mágico. Não dá para cair a ficha da intensidade, da grandiosidade, do momento em que a gente se encontra e está aqui fazendo teatro novamente", diz. Para Ariane Hime, as plateias francesas surpreenderam. "Eu esperava um público mais distante, e mais frio", conta. "Por causa do choque cultural, nós brasileiros somos mais abraço, pele, contato... A gente ri alto, a gente fala alto... A gente esperava uma plateia mais quieta, mais comportada. E não: a plateia vem abaixo, parece que ela quer entrar dentro do palco e é muito gostoso por isso, a gente se sente muito em casa", afirma a atriz. Sem trabalho na pandemia "Na pandemia, ficamos sem trabalho no Brasil. Está horrível no Brasil. E, de repente, a gente pensa e faz teatro novamente, 24 horas por dia, e a gente tem um público que volta justamente com essa sede de palco, de teatro, de gente", comemora Hime. Juliana Carneiro da Cunha, atriz veterana e integrante da trupe do Théâtre du Soleil há 31 anos, se sente realizada com o sucesso da peça no Brasil e na França. "É o sentimento de um sonho realizado no sentido em que já fazia muito tempo em que eu perguntava pra Ariane, ou que tentava junto com ela montar algum projeto no Brasil", conta. "Pedi pra ela dar uma ideia e Ariane me falou então do texto de 'Les Belles Soeurs', uma peça canadense que foi escrita em 1968, vanguardista, denunciando e mostrando o lugar da mulher no Canadá da época. Mas se trata de uma peça mundial, já foi montada em vários outros países do mundo", lembra a atriz. "As pessoas diziam: 'você é maluca, são 15 personagens'. E eu respondia: mas, justamente, é hora de irmos em frente. Não tínhamos um tostão, todo mundo trabalhou como produtora da peça e sem receber, mas eu tinha certeza absoluta que a gente ia conseguir até a peça estrear no Festival de Curitiba, e ter um sucesso enorme no Rio e São Paulo", diz Cunha.  "A ideia era trazê-las no ano passado [para a Europa], mas com a covid não deu certo. (...) É uma peça internacional e eterna, porque os problemas continuam os mesmos. A gente vai avançando, tivemos muito progressos, coisas que as mulheres conseguiram na luta. É uma peça que conta a história de mulheres na periferia de qualquer cidade do mundo e que as representa como um ser humano", avalia. A peça "As Comadres" fica em cartaz no Théâtre de l'Épée de Bois, que divide o espaço na Cartoucherie com o Théâtre du Soleil, de 23 a 30 de dezembro de 2021.
    12/24/2021
    5:13
  • Exposição em Paris mostra nascimento do brasileiro Frans Krajcberg como artista
    O artista brasileiro Frans Krajcberg, que completaria 100 anos de nascimento em 2021, é tema de uma exposição no espaço que leva seu nome na capital francesa. "Paris 50-75, Frans Krajcberg, um brasileiro em Montparnasse" é a primeira exposição na França dedicada ao artista desde sua morte, em 2017. Por Paloma Varón A exposição marca o período de vida de Krajcberg entre os anos 1950, quando ele é reconhecido como artista, até o ano de 1975, em que o governo francês realiza uma grande retrospectiva de sua obra naquele que hoje é conhecido como Centre Pompidou de arte contemporânea. Sylvie Depondt, presidente da Associação de Amigos de Frans Krajcberg e uma das curadoras desta exposição explica: "A gente queria fazer um grande evento em Paris, que é um lugar que ele amou muito e para onde sempre voltou até a sua morte, e marcar a sua presença na cidade. A Covid não nos ajudou com as negociações com os nossos parceiros no Brasil, principalmente para trazer as suas obras de lá, como fizemos em 2005, numa exposição para a qual vieram 90 obras de Krajcberg de navio do Brasil, como parte do Ano do Brasil na França". "Nós decidimos, então, organizar o evento em três partes. A primeiro é esta, que inauguramos aqui, no Espaço Krajcberg, que mostra o nascimento de Frans Krajcberg como artista, entre o Brasil e Paris, e como estes dois lugares foram essenciais para o seu reconhecimento no meio artístico, entre os críticos, os colecionadores etc.", diz Sylvie.  A segunda parte desta exposição será inaugurada em 2022 e se consagrará a seu papel de militante ecologista, a partir de 1975. E a terceira, em 2023, ano que marca também os 20 anos do Espaço Krajcberg, no bairro de Montparnasse, em Paris, será sobre o artista militante ambientalista e tudo o que ele transmitiu. “Este primeiro ângulo é sobre o artista após a Segunda Guerra. O artista que passa por Paris e é enviado ao Brasil pelo seu amigo, o pintor Marc Chagall, que organiza a sua viagem. Ele parte ao Brasil porque Chagall disse que seria um lugar onde ele iria se encontrar, recarregar as forças. É o choque brasileiro, a literatura brasileira, o entusiasmo por tudo o que ele descobre, pelos artistas brasileiros, que estavam em plena ebulição. E ele volta a Paris como cidadão brasileiro para confrontar artisticamente o que ele viveu e aprendeu lá. Ele foi reconhecido na Bienal de São Paulo e do Rio e se impõe no meio artístico parisiense”, diz Sylvie. Um polonês que vai para Paris e termina no Brasil Para entender melhor, é preciso conhecer a história do artista. Capucine Boutte, encarregada de parcerias do Espaço Krajcberg e co-curadora desta exposição, conta um pouco da incrível vida deste polonês que se naturalizou brasileiro. “Krajcberg nasceu na Polônia em 1921. Ele perdeu tudo na Segunda Guerra: toda a sua família é assassinada nos campos nazistas. Depois da Guerra, ele vai a Stuttgart e estuda Belas Artes, com Baumeister, antigo professor da Bauhaus. Seu professor escreve uma carta o recomendando a Fernand Léger. Ele chega a Paris e é acolhido pelo casal Nadia e Fernand Léger e conhece Marc Chagall, que organiza para ele sua viagem ao Brasil”. “Ele gostava do Montparnasse depois da Guerra, porque era aqui que tudo acontecia, mas ele ficou pouco tempo. Ele precisava deixar a Europa. Ele não conhecia nada sobre o Brasil, foi Chagall quem sugeriu. Karjcberg diz, num documentário dirigido por Éric Darmon, que ele precisava sobretudo sair da Europa, estar aqui era insuportável para ele. Ele precisava fugir para longe, e o Brasil oferecia uma oportunidade de recomeçar a vida do zero”, completa Capucine Boutte. O outro curador desta exposição é Eric Darmon, que era amigo de Krajcberg e dirigiu e produziu alguns documentários sobre o artista. Darmon comenta a atualidade da sua arte e do seu engajamento, temas que serão explorados na segunda e na terceira parte da exposição.  "Nos filmes de Walter Salles, rodados nos anos 80, o cineasta filma Krajcberg fotografando a floresta enquanto ela queima. É um trabalho extraordinário. Eu fiz também um filme nos diferentes lugares onde ele morou no Brasil, onde a gente também viu a Amazônia pegando fogo, e Krajcberg nos explica a importância de seu engajamento e a loucura destruidora do homem atual, seja no Brasil ou fora", conta Darmon.  Um artista do sensível  Os filmes de Walter Salles serão projetados nesta exposição, mas ela trata sobretudo do nascimento de Krajcebrg como artista e de como ele começa a se mostrar e a se impor. É muito importante para um artista mostrar que ele existe. Entre as idas e vindas que Krajcberg fazia entre a França e o Brasil, ele se aprimorava. Para Sylvie, Krajcberg se reinventava nestas viagens. Seu trabalho mudava: “Ele encontrava outras técnicas, ele pesquisava. É incontestavelmente um grande artista que tem uma qualidade extraordinária, porque ele toca a nossa sensibilidade imediata. Ele tem esta maneira de ser muito instintivo: sua obra nos toca e fala muito profundamente. Seu traço instintivo e ao mesmo tempo, muito cartesiano, faz dele um artista atípico que fala a todo mundo”. São 33 obras, que pertencem a coleções públicas e privadas. Muitas delas não foram expostas desde sua aquisição. Além disso, haverá exposições de fotos do artista trabalhando, filmes, palestras e conferências. “Graças a sua relação com a natureza, Krajcberg se tornou independente de todos os movimentos artísticos, foi o que o tornou único. Esta luta amorosa pela natureza é o que fez dele um artista à parte. Aos poucos ele foi se tornando consciente dos problemas ambientais e a se engajar nesta luta. Esta exposição mostra esse processo. Ao fim de sua exposição no Centre Pompidou, em 1975, ele declara que acabou a arte pela arte e dali em diante todo seu trabalho seria engajado pelo planeta. Esta exposição foi um 'insight'”. A mostra fica em cartaz em Paris até 26 de março de 2022 com entrada gratuita.
    12/17/2021
    5:13

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