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  • Conferência do Oceano busca avanços para acordo global de proteção
    A Conferência do Oceano acontece nesta semana em Lisboa, cinco anos depois do último encontro de alto nível promovido pela ONU para abordar a proteção dos ecossistemas marinhos. Adiado dois anos pela pandemia, o evento busca acelerar um consenso quanto à importância de um acordo global para proteger os ecossistemas marinhos, a exemplo de outros temas ambientais que chegaram a tratados entre os países, como o clima. A última grande conferência da ONU sobre o assunto tinha acontecido em 2017, e esta agora é a apenas a segunda. Mas esse quadro está se revertendo, inclusive no âmbito da ONU. A relevância do tema é cada vez menos questionada: os oceanos cobrem 70% da superfície do planeta e geram mais de 50% do oxigênio que os seres vivos respiram sobre a Terra. "A emergência climática só não está mais grave porque o oceano foi barrando isso enquanto conseguia, removendo CO2 da atmosfera”, ressalta o professor Ronaldo Christofoletti, do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e presente em Lisboa. "Mas enquanto ele segurou, ele começou a cansar. Já começamos a ter sinais muito claros disso: o oceano está pedindo ajuda. E ainda há tempo de fazermos diferente." A Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, fixada pelas Nações Unidas entre 2021 e 2030, foi crucial para aumentar a mobilização em torno do assunto. Mas um amplo acordo global sobre o oceano ainda parece distante. "Quem sabe na próxima conferência, em 2025. Acho que todos os arranjos necessários para que esse acordo vá sendo construído coletivamente estão sendo feitos”, avalia Christofoletti. "A gente teve um exemplo recente, sobre os plásticos, com um acordo especificamente para o lixo no mar. Já é um grande avanço, mas ainda teremos de trabalhar mais um pouco por um tratado global.” Áreas protegidas Em março, os países reunidos na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente no Quênia chegaram às bases de um texto para limitar a poluição por plásticos, que mata a cada ano 100 mil mamíferos marinhos. A expectativa é de que um pacto formal sobre o tema seja assinado em 2024. A cúpula em Lisboa, com representantes de cerca de 100 países, empresas e a sociedade civil, também pretende avançar rumo a um compromisso para frear a pesca excessiva. Hoje, um terço das espécies selvagens de peixes são pescados além dos limites que garantem a sua sobrevivência. Passar dos atuais menos de 10% de áreas marinhas protegidas para 30% é outro grande desafio, que a ONU se coloca para 2030. Nesta quarta-feira (29), uma centena de países se comprometeram com este objetivo em Lisboa – pouco mais da metade dos 193 que compõem as Nações Unidas. "São tantas frentes: plásticos, produtos químicos, fertilizantes, que chega a dar um desespero. Mas tudo isso tem duas raízes: as atividades humanas, que podem ser regulamentadas, e colocar em prática o que a gente combinar, pelas leis”, observa Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano no Brasil. "Não há antagonismo entre a natureza e a economia, o desenvolvimento. Outro aspecto é a pobreza: ela é um sintoma de um modo insustentável da sociedade”, sublinha o especialista. “Racismo oceânico" A maneira como o oceano é tratado reflete o nível de desenvolvimento de cada país. O velho embate entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento também emerge nos temas relacionados aos oceanos: como exigir dos países pobres mais cuidado com a gestão do mar sem ajudá-los a financiar os mecanismos mais adaptados, menos nocivos ao ambiente marinho? “A gente precisa de um sentimento de empatia, de cooperação. A vulnerabilidade a que milhões de pessoas estão expostas precisa ser combatida, inclusive aquelas que estão morando no que chamamos de aglomerados subnormais, que são áreas de risco como encostas, áreas de manguezal – que são, também, mais sujeitas aos efeitos das mudanças do clima”, salienta Turra. “Isso nos remete ao racismo oceânico, o racismo ambiental. As pessoas que acabam sofrendo desproporcionalmente mais com essa situação são as pobres, as negras, todas as que estão à margem da sociedade hoje.” Para ouvir o podcast Planeta Verde, clique no alto
    6/30/2022
    8:45
  • Suécia é modelo de política ambiental, mas enfrenta desafio 'de ricos': reduzir o consumo
    A Suécia é apontada como um país de vanguarda na política ambiental: tem alguns dos objetivos mais ambiciosos do mundo de redução de emissões de gases de efeito estufa e é modelo em aspectos como energias renováveis, reciclagem e bairros sustentáveis. Entretanto, diminuir o impacto do consumo elevado é um desafio – um problema “de ricos” que o governo tenta enfrentar com mais impostos e medidas pioneiras para forçar a sociedade a aprofundar suas mudanças. Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Estocolmo Os suecos querem se tornar um dos primeiros do mundo desenvolvido a serem neutros em emissões de carbono até 2045, graças à eliminação dos combustíveis fósseis da sua matriz energética. A capital, Estocolmo, assumiu a missão de chegar a esse objetivo ainda mais cedo, em 2040. Já faz mais de 50 anos que os suecos, tradicionalmente apegados à natureza, acordaram para a crise ambiental, mas foi nas últimas três décadas que o país passou a implementar transformações profundas para fazer a sua parte contra as mudanças do clima. Em poucos anos, a Suécia se tornou um dos campeões mundiais da reciclagem e da valorização energética, num círculo virtuoso que fez o país o país cortar 35% das suas emissões desde a década de 1990. Transformação do calor e do lixo Como parte desta dinâmica, o setor digital entra neste ciclo. Por ser um país frio próximo do Ártico, a Suécia se tornou um hub para gigantes da tecnologia do mundo todo instalarem seus data centers regionais. Se, por um lado, os centros de armazenamento de dados consomem quantidades colossais de energia, por outro, também geram muito calor que, na Suécia, é reaproveitado na rede de calefação urbana. Tornar sustentáveis essas imensas infraestruturas significa não só evitar emissões de CO2, como representa uma fonte de economia para empresas como Microsoft, Google e outras. O país já tem alguns “green data centers” com balanço ambiental positivo. "Os data centers precisam ser altamente refrigerados, para esfriar os processadores e os sistema elétrico. Mas um resfriador é basicamente uma bomba de calor. Nós chegamos a um desenho ideal de resfriador, de forma a captar o calor e encaminhá-lo para a rede de calefação”, explica Fabien Levihn, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Stockholm Exergi, a companhia municipal de energia. "Hoje temos data centers em muitas cidades que recuperam o calor.” Outra fonte para abastecer a rede de calefação é o lixo. Os lixões de material orgânico foram banidos da Suécia há 20 anos: os dejetos alimentares são transformados em adubo agrícola ou biocombustível, depois utilizado para aquecer os imóveis. "As cidades organizaram projetos para o biogás, começaram a coletar o lixo alimentar separadamente, a construir plantas de transformação em biocombustível”, aponta Caroline Steinwig, especialista em tratamento biológico e biocombustíveis do Avfall Sverige, a agência sueca de tratamento de lixo. "E melhoramos o produto final: passamos a remover o CO2 para obtermos a mesma qualidade do gás natural e transformá-lo em combustível para o transporte. Iniciamos essa solução circular, e os ônibus locais passaram a rodar com este biogás.”  Entretanto, apesar de 87% das cidades do país terem sistema de coleta subterrânea e reciclagem dos vários tipos de lixo, persistem lacunas na separação dos dejetos nas residências, empresas e outros organismos. “Não somos perfeitamente circulares. Cerca de 50% do lixo alimentar vai parar no lixo residual, infelizmente, e isso acaba sendo incinerado. Ainda podemos melhorar muito”, indica Steinwig. "Temos muito orgulho do que construímos, uma aprendizagem sobre a importância da separação correta do lixo que vem desde a creche para educarmos os nossos futuros cidadãos a fazer as coisas direito. Globalmente, estamos bem, mas ainda temos muita coisa para fazer”, constata. Aumento das renováveis Uma das metas é atingir uma matriz energética com apenas fontes renováveis até 2040 – o que seria inédito num país desenvolvido. Com 54,6% de sua produção energética assim, sobretudo via hidrelétricas, Estocolmo já é exemplar na União Europeia, onde a média é de apenas 18,9% de energia limpa. Entretanto, o país ainda não encontrou uma solução definitiva para os dias frios, quando é obrigado a completar a demanda com importação de eletricidade dos vizinhos alemães e poloneses – onde é produzida por fontes fósseis. Essas e outras incongruências ajudam a explicar a indignação da jovem militante Greta Thumberg – diante da emergência climática, a estudante prefere chamar a atenção para as falhas, em vez dos avanços no país. A especialista em cidades sustentáveis Sofie Pandis Iveroth, referência sobre o tema, também segue nesta linha crítica. Para a autora, a Suécia só poderá afirmar que está no caminho certo da transição ecológica quando abandonar definitivamente a combustão de petróleo, gás ou lixo. "Não, ainda não estamos vendo um verdadeiro movimento transformador na Suécia. Talvez a guerra na Ucrânia ou outra coisa horrível como essa nos empurre a adiar ainda mais a transição. Mas enquanto nós formos dependentes da combustão e dos combustíveis fósseis, não será suficiente”, ressalta a consultora sênior do grupo Anthesis. "Precisamos encontrar novas formas para facilitar a introdução de ainda mais energia solar, mais eólicas, estocagem de eletricidade, o uso de hidrogênio verde”, diz Iveroth, autora de uma tese de doutorado sobre o primeiro bairro ecológico da capital, Hammarby Sjostad. Suecos consomem demais Na comparação com os vizinhos europeus e outras economias avançadas, o grande calcanhar de Aquiles sueco é o consumo. Segundo a Agência Pública Nacional de Proteção do Meio Ambiente, as emissões ligadas ao consumo chegam a 9 bilhões de toneladas de CO2 por pessoa – ou seja, nove vezes mais do que o máximo para que limitar o aquecimento do planeta em menos de 2°C seja uma meta possível. Um relatório de 2019 da ONG Global Footprint Network apontou que se a humanidade consumisse como os suecos, os recursos naturais que a Terra consegue renovar a cada ano se esgotariam já no dia 9 de abril – e não em 29 de julho, conforme a média mundial. A tomada de consciência sobre o problema, ainda lenta, deu origem a movimentos como o “köpskam”, “vergonha de comprar”, e o “flygskam”, “vergonha de andar de avião”, o meio de transporte mais nocivo ao planeta. "Muitos suecos se sentem conectados com a natureza, se importam e têm um forte interesse nos temas ambientais. Mas aqui nós temos um alto padrão de vida e o modo como as pessoas consomem acaba indo no sentido contrário”, explica Katarina Axelsson, pesquisadora em consumo sustentável do Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI, na sigla em inglês). "O impacto ambiental do consumo é alto, mas ainda não estamos totalmente dispostos a agir com responsabilidade quanto a isso, porque hoje esses hábitos estão absorvidos no nosso estilo de vida. É um grande desafio: nós nos acostumamos a ter acesso aos produtos de lojas como H&M e outras marcas de fast fashion, com todas as adversidades que elas representam”, nota a pesquisadora. Objetos de segunda mão Desde 2018, com a nova lei de transição ecológica no país, as empresas são obrigadas a adotar planos de redução do seu impacto ambiental. A comercialização de objetos de segunda mão se acelerou – o primeiro shopping exclusivamente para objetos usados foi aberto a cerca de 120 quilômetros da capital, em Eskilstuna. Mas a imensa quantidade de produtos que ficam encalhados à venda mostram o longo o caminho que ainda existe pela frente.   A redução do consumo se tornou o foco de organizações ambientais, mas também do próprio governo, que promove campanhas para sensibilizar a população sobre o combate ao desperdício e o reaproveitamento dos produtos. Em Estocolmo, há dezenas de pontos onde os habitantes podem depositar os objetos, móveis ou roupas que não usam mais, e tudo fica à disposição para qualquer um levar para casa, gratuitamente. Este ano, o projeto ganhou financiamento da União Europeia para experimentar uma versão marítima do Pop up Aterbruk: um barco leva e traz os objetos de bairros mais distantes. "A maioria das pessoas quer fazer direito, mas precisamos oferecer soluções, inclusive logísticas, para que elas possam fazê-lo”, comenta Lena Youhanan, uma das responsáveis pela campanha. "Quando as pessoas vêm aqui, é uma oportunidade ideal para nós informarmos sobre o que acontece com os objetos que elas deixam. É um momento de aprendizagem, para mostrar que aquilo seria lixo se não estivéssemos tomando conta de uma maneira melhor”, esclarece. Forçar mudanças de hábitos pelo bolso  Uma pesquisa do Banco Europeu de Investimentos indicou que três quartos da população sueca acredita que a crise climática e as suas consequências são o maior desafio da humanidade no século 21 – e concorda com que o governo aplique “medidas rígidas para impor mudanças no comportamento das pessoas”. Neste sentido, Axelsson ressalta que uma alternativa mais radical seria coagir pelo bolso, com impostos ainda mais altos sobre o consumo. Já é o caso sobre o gasto de energia: desde os anos 2000, o país adota uma das taxas por emissões de CO2 mais elevadas do mundo, atualmente cotada a € 117 (R$ 650) por tonelada. Na França e Alemanha, o imposto é de € 44,6 (R$ 244) e € 25 (R$ 138), respectivamente, por tonelada emitida. O próximo objetivo é adicionar as emissões oriundas do consumo, inclusive via importações, nas metas nacionais de redução de gases de efeito estufa. Novamente, a Suécia deve ser o primeiro país do mundo a implementar tal medida. “Eu acho que isso é ótimo. É fantástico que tenhamos conseguido dar esse passo, porque as pesquisas mostram que é importante não só estabelecer objetivos, mas definir como vamos desenvolver um plano de ação para conseguir atingi-los”, sublinha Axelsson. "Temos que determinar que as pessoas, as empresas e organizações terão responsabilidades e trabalharão para chegarmos, todos, nesse objetivo."
    6/29/2022
    23:00
  • Reportagem: como a Suécia se tornou um laboratório mundial de bairros sustentáveis
    A Suécia, um dos países mais desenvolvidos do mundo, também está na ponta da inovação para tornar as cidades mais sustentáveis. O país é pioneiro no planejamento de bairros ecológicos – da reciclagem e reutilização do lixo ao tráfego urbano, da autossuficiência em energia à ampliação dos espaços verdes, tudo é pensado para limitar as emissões de CO2 e a degradação ambiental. Lúcia Müzell, enviada especial a Estocolmo A RFI visitou dois bairros modelos de Estocolmo, escolhida a primeira capital verde europeia em 2010. A transformação do primeiro deles, Hammarby Sjöstad, se iniciou há 30 anos e já passa por novas modernizações, para se tornar neutro em emissões de gases de efeito estufa até o fim da década. O segundo, Stockholm Royal Seaport, ainda está em construção e almeja ser ambientalmente positivo até 2040. Isso significa estar livre dos combustíveis fósseis e produzir mais energia do que consome, graças aos painéis fotovoltaicos espalhados pelos telhados e fachadas dos prédios, a uma maior eficiência energética e à transformação do lixo em biocombustível, utilizado para o aquecimento dos imóveis durante os dias frios. Em um país nórdico com temperaturas glaciais durante boa parte do ano, a melhor época para visitar os dois bairros é a primavera, quando uma parte crucial dos projetos, ter ao menos 40% de áreas verdes, pode ser apreciada. Em poucos metros de caminhada, a diferença é sentida pelos olhos e ouvidos. Bicicletas, patinetes e carrinhos de bebê tomaram, literalmente, o espaço outrora ocupado por carros e ônibus barulhentos. No Stockholm Royal Seaport, a meta é cortar a circulação de veículos motorizados em pelo menos 40% – e a maioria deles já são elétricos. Numa tarde ensolarada, os suecos se dão ao direito de trabalhar nas praças, que se sucedem a cada esquina nestes bairros. Os longos trechos à beira do Mar Báltico são os preferidos dos praticantes de esportes e para passeios em família. "Estamos mais próximos da água, da natureza, o que é muito bom. Todos estamos muito preocupados com o que está acontecendo com o meio ambiente”, comenta Katarina, funcionária de uma multinacional sediada em Estocolmo e que escolheu morar em Hammarby Sjöstad há sete anos. "Aqui é bacana. Nós temos um ótimo transporte, então não precisamos de carro”, diz a moradora Daiana, enquanto passeia com as duas filhas pequenas. "Sabemos o quanto as pessoas estão estragando a natureza, então é muito importante para mim ser consciente sobre isso e tomar atitudes para diminuir o nosso impacto ambiental.” Ruas em escala humana Nesta lógica em que os carros e caminhões não são bem-vindos, as ruas foram planejadas para receber mais pedestres. Elas não têm meio-fio nas calçadas, que dificultam a circulação das pessoas, e os acessos aos transportes públicos são facilitados. Os espaços para estacionamento são limitados – para dar lugar às ciclovias.  A rua assume a escala humana, e não mais das máquinas. Os acessos aos transportes públicos também são facilitados: em vez de escadas, rampas, escadas rolantes. A dinâmica de proximidade é outro ponto alto dos bairros sustentáveis, planejados para ter serviços e comércios a no máximo 200 ou 400 metros de distância de qualquer residente – assim, os deslocamentos a pé acabam privilegiados. A economia circular também é estimulada, com hortas comunitárias e lojas de revenda de produtos usados. "É muito bom morar aqui, especialmente para as crianças. Você tem tudo: comércios, parquinhos, a natureza. E é muito perto do centro da cidade”, atesta Jacob, há três anos em Royal Seaport. “Acho que ainda não reciclamos o suficiente e que podemos comprar menos. Eu tenho tentado comprar cada vez mais objetos de segunda mão”, afirma Daiana. Quatro lixeiras em casa Em casa, os moradores já se habituaram a separar o lixo em quatro diferentes compartimentos: papéis e plásticos, metais, dejetos alimentares e os que não se enquadram nas categorias anteriores, como fralda descartável. "Estamos tentando combater o problema da poluição cuidando do nosso lixo de uma maneira sustentável”, observa o desenvolvedor Léon Martinez, outro morador de Hammarby Sjöstad, afirmando ter sido fácil se adaptar ao sistema. Separados, os resíduos são aspirados por uma rede quilométrica subterrânea, que encaminha cada tipo de material para o respectivo centro de tratamento. Os caminhões de lixo circulando na superfície pertecem, portanto, ao passado. O projeto prevê um máximo de 1,5 quilo de lixo residual – que não pode ser reciclado – por habitante, por semana. Os restos de alimentos viram biocombustível. O calor dos líquidos residuais do lixo é reaproveitado na rede de calefação e como adubo para as plantas. Da mesma forma, a água usada é reaproveitada para a irrigação dos jardins, dentro do objetivo de o uso de água ser 30% menor nestes bairros, na comparação com o resto da cidade. "Você tem fazer com que seja algo legal separar o lixo, que seja fácil. Você tem que fazer ser possível trabalhar mais de casa”, recomenda Sofie Pandis Iveroth, autora de uma tese de doutorado que se tornou referência nos estudos sobre o bairro pioneiro de Estocolmo, e especialista sênior em cidades sustentáveis do grupo Anthesis. "Você pode fazer com que seja possível plantar alguns legumes ali mesmo no seu bairro e, desta forma, você talvez encurte a distância entre os humanos e a sua dependência da natureza”, exemplifica. Melhorias em curso É claro que nem tudo saiu como planejado – após 20 anos, a queda de consumo energético em Hammarby Sjöstad não foi de ao menos 40% por morador, como esperado, mas de cerca de 30%. As falhas no projeto original deram origem a iniciativas cidadãs para aumentar a ambição ambiental, como o Electricity. A organização, que reúne associações de moradores, especialistas e empresas públicas e privadas, é focada em dar mais ênfase à transição para a mobilidade elétrica – menos poluente – e à economia circular. "Quando fomos morar lá, achamos que não era tão bom quanto poderia ser. Então iniciamos o projeto Hamarby Sjöstad 2.0, trazendo as últimas inovações climáticas e tentando torná-lo ainda melhor do que já era”, conta Rickard Dahlstrand, CTO da organização. Até os anos 1990, toda a região era uma zona portuária poluída e degradada da cidade. Atualmente, cerca de 25 mil pessoas vivem no bairro, que continua a se expandir.  "Analisamos a questão energética das bases do prédio até o telhado. Tinha muitas coisas erradas, que fomos conseguindo consertar e resultaram em economias para todos. Diminuiu muito, por exemplo, o desperdício de aquecimento dos apartamentos”, sublinha, referindo-se ao gasto que mais pesa não só na conta de energia, como na pegada de carbono das famílias. O isolamento térmico de vários prédios passou por reformas, que incluíram ainda um novo sistema de reaproveitamento e estocagem do próprio calor. "Microrredes” foram estabelecidas para compartilhar a calefação entre um grupo de imóveis vizinhos, explica Dahlstrand. Os moradores podem acompanhar os detalhes do consumo energético em tempo real, por um aplicativo no celular. Cada cidade encontra o seu modelo Para Sofie Pandis Iveroth, o grande legado do primeiro bairro ecológico da Suécia, e um dos primeiros do mundo desenvolvido, foi introduzir uma visão holística sobre os desafios ambientais em uma área urbana. Cada cidade, insiste, tem seus próprios potenciais a serem desenvolvidos. “Nós temos que pensar em como sustentar todo o sistema, e não só os prédios. As soluções em Hamarby e Royal Seaport são tecnicamente focadas – e é claro que você precisa de técnicas para desenvolver um bairro sustentável, mas eu acho que tudo depende de como você está olhando para este bairro para torná-lo mais sustentável do que ele é”, indica a especialista. "Muitas vezes, pega-se uma solução de uma parte do mundo e tenta-se transportá-lo para um outro contexto, sem parar para pensar no que já tem ali e o que pode ser feito.”
    6/24/2022
    23:14
  • Julgamento inédito contra varejista Casino por desmatamento no Brasil avança na França
    Um julgamento inédito aberto na França aumenta a pressão sobre as multinacionais que atuam no Brasil, em especial as que lidam com o agronegócio. Onze organizações ambientais francesas e de povos indígenas do Brasil e da Colômbia protocolaram a ação, cuja primeira audiência ocorre nesta quinta-feira (9), contra o grupo Casino, dono do Pão de Açúcar e do colombiano Éxito. Lúcia Müzell, da RFI As entidades acusam a gigante varejista francesa de não cumprir uma lei pioneira da França, de 2017, segundo a qual as companhias com mais de 5 mil funcionários têm um “dever de vigilância” quanto a violações ambientais e dos direitos humanos nas suas filiais pelo mundo. As organizações denunciam que o Casino, com suas marcas locais, comercializa produtos ligados ao desmatamento ilegal na Amazônia. Um relatório do Centro para Análises de Crimes Climáticos (CCCA), baseado em Haia (Holanda) e divulgado na semana passada, aponta que produtores que fornecem gado a três unidades controladas pela JBS em Rondônia foram responsáveis pelo desmatamento ilegal de 50 mil hectares da Amazônia, incluindo áreas da reserva do povo indígena Uru-Eu-Wau-Wau. Uma comitiva da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) está na capital francesa para realizar um protesto nesta quinta-feira (9), em frente ao Tribunal Judiciário de Paris, onde a primeira audiência da ação aberta em março de 2021 vai detalhar o calendário processual daqui para a frente. "Não há muita jurisprudência nem precedentes para sabermos quanto tempo esse processo poderá durar. Mas ele é muito aguardado no exterior”, aponta Boris Patentreger, cofundador da organização francesa Envol Vert e diretor da ONG internacional Mighty Earth. Ambas estão envolvidas no processo, ao lado da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa). "Essa lei francesa está sendo observada em nível europeu, mas também nos Estados Unidos, que analisam adotar uma lei como essa francesa. Há, portanto, muita expectativa.” Casino se diz “exemplar" O grupo Casino afirma que aplica uma “política muito rígida” para garantir a rastreabilidade da carne bovina que coloca à venda, apesar das limitações legais e administrativas que ainda existem no Brasil e que, segundo o advogado da empresa Sébastien Schapira, impedem um monitoramento mais completo. Ele lamenta que os ambientalistas tomem o Pão de Açúcar como alvo, enquanto outros varejistas permanecem indiferentes aos critérios ambientais. “Muito antes da lei sobre o dever de vigilância, o Casino tomou medidas importantes para o meio ambiente e particularmente contra o desmatamento no Brasil. O grupo, que compra menos de 1% dos grandes fornecedores de carne do Brasil, é o varejista que provavelmente aplica a política mais ambiciosa para poder controlar a cadeia de abastecimento, com ações práticas em campo, com a utilização de meios tecnológicos e em colaboração com ONGs”, salienta. A coalizão de organizações exige que o Casino tome medidas mais contundentes para se assegurar que os produtos que oferece no mercado brasileiro e colombiano não são resultado de desmatamento – 80% da derrubada de florestas na Amazônia é causada pela pecuária. Na Justiça, os indígenas pedem mais de € 3,1 milhões de indenização pelos prejuízos e danos morais provocados pelas atividades ilegais. Ação judicial movida por indígenas Eloy Terena, coordenador jurídico da Apib e da Coiab, celebra o ineditismo da ação. “Durante muitos anos, foi negado aos povos indígenas o direito de acionar o Judiciário. Eles não eram tratados como sujeitos de direito”, comenta. "Depois de séculos de tutela jurídica, hoje, os povos indígenas têm a oportunidade, por meio de seus advogados próprios, de acionar o sistema de Justiça nacional, quanto internacional”, ressalta Terena. “Os abatedouros costumam ter a rastreabilidade até a primeira fazenda que está em contato com eles, mas não têm rastreabilidade de todas as que estão por trás e isso é uma porta aberta para o desmatamento. Grupos como Casino, mas também Carrefour, que está presente no Brasil e é líder no varejo, precisam adotar medidas que são possíveis tecnicamente e precisam ser generalizadas, para que eles estejam à altura dos desafios”, adverte Patentreger. "O que acontece na Amazônia não é apenas um problema para a biodiversidade e os povos indígenas, mas é também um verdadeiro desafio para todo o planeta.” O advogado Schapira rebate e afirma que quando o Casino toma conhecimento sobre produtores indiretos que não respeitam as regras sobre o desmatamento ou a proteção de povos indígenas, "o grupo e suas filiais têm a instrução de descredenciar esses fornecedores”, destacando que as organizações em questão não informaram quais são os produtores irregulares que identificaram. "Nós não brincamos com questões tão importantes quanto essas. É bom que as ONGs queiram avançar, mas a via que foi escolhida, com afirmações um pouco mentirosas e uma confrontação judicial, não será necessariamente útil”, comenta o defensor. "Agora, deixemos o debate técnico avançar nas melhores condições. Ele permitirá mostrar que, não só em relação ao dever de vigilância, como ao que todos esperam, ou seja, rastreabilidade, transparência e boas práticas, o Casino é bastante exemplar.” Tribunais internacionais O diretor jurídico da Apib diz estar ciente dos riscos, sobretudo financeiros, de processar uma grande multinacional, mas garante dispor de “provas robustas” das violações das terras dos Uru-Eu-Wau-Wau. Ele indica que imagens de sensoriamento remoto identificaram mais de 25 mil cabeças de gado, num valor estimado em R$ 73 milhões, em áreas indígenas ilegalmente ocupadas. "Foi feito um mapeamento e foram identificados 37 fornecedores ilegais para os frigoríficos da JBS, que depois pararam na rede do Casino”, explica. "Nós chegamos à conclusão de que apenas o sistema interno da Justiça brasileira não está dando conta. É preciso cada vez mais a gente buscar outros mecanismos internacionais. Em 2020, a deputada Joenia Wapichana iniciou uma discussão, propôs uma lei de rastreabilidade, mas ela foi imediatamente sufocada politicamente. O perfil do Parlamento brasileiro é muito conservador e alinhado aos interesses do agronegócio”, lamenta o advogado. Depois do protesto e outros eventos em Paris, as lideranças indígenas da APIB seguirão viagem para Bruxelas, onde se reunirão com uma comissão do Parlamento Europeu. O tema da conversa é o projeto de proibição de importação de commodities relacionadas com o desmatamento e a destruição das florestas.
    6/9/2022
    7:50
  • 50 anos após conferência ambiental histórica, Estocolmo agora debate transição ecológica justa
    Estocolmo acolhe nesta quinta e sexta-feiras (2 e 3) uma conferência internacional para celebrar os 50 anos da primeira grande reunião multilateral sobre o meio ambiente, ocorrida na capital sueca em 1972. Meio século depois, a humanidade avança a passos lentos, mas determinados, para combater a crise ambiental. Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Estocolmo Naquele ano, com 113 nações representadas em volta da mesa, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e estabelecido o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado desde então a cada 5 de junho. "Estocolmo é o grande marco histórico em que esse tema entra na agenda do mundo e que se coloca a dimensão planetária dos problemas ambientais. Costumo dizer que Estocolmo 72 e Rio 92 marcam o início do século 21”, relembra o advogado e ambientalista Fábio Feldman, um dos fundadores da organização SOS Mata Atlântica nos anos 1980. "A influência de Estocolmo foi muito grande, como, por exemplo, na Constituição de 1988 do Brasil. Ela é inspirada nos produtos formais da Conferência de Estocolmo, com a institucionalização nos governos da questão ambiental e a criação, no caso brasileiro, da Secretaria Especial de Meio Ambiente”, indica. Avanços ocorrem, mas são lentos demais A conscientização sobre um planeta que ficava doente e que caminhava para se tornar “inabitável”, como já definiu a ONU, levou os países do mundo inteiro a assumirem compromissos cada vez mais abrangentes – desde limitar as emissões de gases de estufa e a perda da biodiversidade até reduzir a degradação dos solos e oceanos. A transição para uma economia sustentável, compatível com os limites do planeta, ocorre numa velocidade muito inferior à necessária para evitar os cenários mais catastróficos previstos pela ciência – mas ainda assim, há razões para olhar para o futuro com otimismo, na visão de Feldman. "Se o mundo está difícil nos temas como a mudança do clima ser o grande desafio da humanidade, a perda da biodiversidade comprometer o futuro, a má gestão dos recursos hídricos leva a crises etc, imagine se nós não tivéssemos tido 1972 e 1992?”, alega. "Os nossos temas exigem mudanças tão urgentes e radicais que elas não acontecem de uma hora para a outra. A ideia do desenvolvimento sustentável surgiu em 1992. Antes confundia-se crescimento econômico com desenvolvimento, considerava a ideia de poluição com progresso. Então, acho que houve uma mudança radical no mundo”, argumenta. Contexto diferente A ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, presente na Estocolmo+50, acrescenta que o mundo hoje é "outro" em diversos aspectos, com o equilíbrio de forças que se ampliou e num contexto de pós-globalização. A responsabilidade da atividade humana nas crises ambientais está estabelecida pela ciência, ao contrário de 50 anos atrás. Hoje, a sociedade no seu conjunto é incitada a fazer a sua parte, muito além dos governos. Além disso, as consequências das crises da Covid-19 e da volta da guerra na Europa exacerbaram as desigualdades sociais no mundo, diante do imenso desafio comum de combater a mudança do clima. "Temos um apelo por justiça climática, de um lado, e de outro de justiça social, por uma transição justa, com letras garrafais. Estocolmo+ 50 discute essa trajetória”, antecipa. "As pessoas não podem mais ficar pensando em como era o mundo lá atrás. É uma trajetória de mudança muito grande da agenda, que faz com que o multilateralismo ambiental tenha uma dimensão muito estratégica." Para a ex-ministra, a nova conferência na Suécia começa a marcar as bases de uma nova cooperação internacional. Um dos aspectos em jogo é que os países desenvolvidos deverão reconquistar a confiança dos em desenvolvimento. “A guerra na Europa, pela guerra na Ucrânia, denuncia as nossas fragilidades ante à nossa interdependência enquanto países, pelas cadeias de produção e de valores, e por outro lado, a questão da energia, que é a origem do problema do clima, revela uma fortíssima pressão de curto prazo, que é a dependência energética dos países”, observa Izabella, que assinou o Acordo de Paris sobre o Clima em nome do Brasil, em 2015. "O contexto de ação de Estocolmo 2022 não é mais o que teremos no futuro, se existe um problema. Não: é como nós vamos agir.” Manifestação com Greta Thunberg A conferência "Estocolmo +50: um planeta sadio para a prosperidade de todas e todos” recebe nomes de peso como o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o secretário especial americano para o Meio Ambiente John Kerry. Além de marcar as conquistas do passado, o evento visa acelerar a Década de Ação das Nações Unidas pelo desenvolvimento sustentável, prometido para 2030. A reunião é também uma ocasião a mais para os países ampliarem o diálogo sobre os principais temas ambientais globais, discutidos em profundidade nas conferências específicas da ONU, como a COP27 no Egito, prevista para novembro. Além disso, centenas de eventos paralelos ocorrem desde o início da semana em Estocolmo, com a participação da sociedade civil. Uma manifestação está prevista na sexta-feira, com a presença da jovem ativista Greta Thunberg, que é sueca.
    6/2/2022
    5:43

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