Partner im RedaktionsNetzwerk Deutschland
Höre {param} in der App.
Höre SAÚDE in der App.
(7.565)(6.472)
Sender speichern
Wecker
Sleeptimer
Sender speichern
Wecker
Sleeptimer

SAÚDE

Podcast SAÚDE
Podcast SAÚDE

SAÚDE

hinzufügen

Verfügbare Folgen

0 von 22
  • Saúde e meio ambiente: como acertar os ponteiros do nosso relógio biológico
    Como nosso organismo enfrenta a correria do dia a dia, a irregularidade dos nossos horários e as noites curtas? O cronobiologista francês Damien Davenne, diretor de pesquisa da universidade de Caen, na Normandia, explica por que é fundamental respeitar o ritmo circadiano – a variação biológica que coordena o funcionamento do nosso organismo em 24 horas. Taíssa Stivanin, da RFI A flutuação fisiológica que organiza as funções orgânicas ignora o modo de vida urbano ocidental: ela é a mesma do tempo dos nossos ancestrais que viviam nas cavernas, alerta o pesquisador francês. Isso significa que, ao ficarmos acordados até tarde, por exemplo, estamos indo além dos limites impostos pela natureza para que nosso corpo funcione corretamente. “A base temporal do ser humano é a rotação terrestre e nós dependemos dela para viver. Nosso tempo se organiza em torno dessa rotação terrestre, ou seja, do dia e da noite. Desde que o homem apareceu, há 300 mil anos, temos exatamente os mesmos genes, poucas coisas mudaram. Nós funcionamos da mesma maneira há 100 mil ou 200 mil anos”, explica. As 24 horas de um dia determinam a programação do nosso relógio biológico. Os cronobiologistas, como o pesquisador francês Damien Davenne, estudam essa organização fisiológica dos períodos de atividade e de repouso do homem. O ritmo circadiano é controlado pelo hipotálamo, situado na base do cérebro, responsável pelo gerenciamento de um grande número de funções corporais. Entre elas, o apetite, a pressão arterial, a temperatura corporal e o metabolismo, além do sono, gerenciado pela melatonina – o hormônio que, basicamente, indica ao organismo que é hora de dormir. O aparecimento da luz artificial fez com que o homem pudesse ficar acordado à noite, o que consequentemente atrapalhou o ritmo circadiano. “Isso teve consequências catastróficas para o nosso ritmo biológico", diz o cientista francês. Não fomos programados para ajustar a luz de acordo com nossa vontade." Lâmpadas LED prejudicaram ainda mais o ritmo circadiano As doenças do sono eram raras antes do surgimento da eletricidade, no século 19. A tal ponto que alguns cientistas batizaram esses males de “Doença de Edison”, em referência a Thomas Edison, inventor da lâmpada elétrica.  Uma outra invenção, décadas mais tarde, viria desajustar ainda mais o nosso relógio biológico e nossa capacidade nata de diferenciar o dia da noite: a descoberta das lâmpadas LED, nos 60, um diodo semicondutor que, quando ativado, emite a chamada luz azul, um espectro luminoso responsável pela inibição da melatonina. Segundo Damien Davenne, a tecnologia veio, definitivamente, desajustar os ponteiros do nosso relógio biológico. A lâmpada LED emite ondas compatíveis com a percepção humana e, usada na maioria das telas, ela atrapalha a regulação do sono, afirma o especialista. "Nosso relógio biológico é particularmente sensível a essa luz e isso o desregula completamente. O organismo, por enquanto, não consegue se adaptar a isso”, reitera. A esperança é que novas tecnologias “corrijam” esse problema causado pelas lâmpadas LED. Estudos mostram que, no século 20, o homem perdeu cerca de duas horas de sono diárias, motivado também por questões comportamentais. A ideia de que dormir “é perda de tempo” integrou, por muito tempo, o imaginário ocidental. Diferenças individuais A maneira como o corpo de cada um vai reagir à falta de sono é muito pessoal, explica Damien Davenne. “Essa programação é individual e genética. Não podemos fazer nada. Somos mais matutinos ou noturnos, dormimos mais ou menos, e devemos nos inteirar desses parâmetros”, diz. Essas características individuais, ressalta, devem ser respeitadas para preservar a saúde de cada indivíduo. O risco, caso contrário, é enfrentar as consequências provocadas pela falta de sono. A primeira delas é cognitiva: a falta de descanso apropriado afeta os tecidos cerebrais e diminui a capacidade de nosso sistema imunológico para enfrentar as infecções. “O sono serve para que a gente se recupere das atividades realizadas quando estamos acordados e para que possamos continuar a viver. Temos que fazer o que estiver a nosso alcance para respeitar esse tempo de repouso", conclui o cronobiologista francês.
    6/21/2022
    5:51
  • Saúde e meio ambiente: o aquecimento global pode afetar o sono?
    Um estudo publicado em maio pela revista One Earth, feito por um grupo de pesquisadores da universidade de Copenhague, na Dinamarca, mostrou que a alta da temperatura terrestre está relacionada à perda, em média, de 44 horas de sono em um ano. A previsão é de que cada um deles poderia dormir, anualmente, 58 horas a menos até 2099. Taíssa Stivanin, da RFI A pesquisa foi realizada entre 2015 e 2017 e envolveu a análise dos dados de 47 mil pacientes de 68 países diferentes. Os participantes usaram um bracelete eletrônico de monitoramento do sono. Os cientistas em seguida compararam as informações fornecidas pelo aparelho com as condições meteorológicas locais. A conclusão é que, a partir de 25º C, à noite, a probabilidade de não ter um sono repousante aumenta em 3,5 vezes. A temperatura ideal para dormir é de cerca de 19ºC. Acima desse valor, o corpo não esfria o suficiente e isso faz com que as pessoas durmam mais tarde e acordem mais cedo. Até que ponto a alta das temperaturas pode afetar o sono e a saúde? A RFI pediu à psiquiatra francesa Sylvie Royant Parola, especialista em sono, que avaliasse os resultados publicados pelos pesquisadores dinamarqueses. De acordo com ela, a temperatura externa extremamente elevada impede de dormir porque o cérebro não consegue, literalmente, esfriar. “O cérebro detesta o calor. Se ele não consegue abaixar a temperatura durante a noite, ele se manterá alerta, como se estivéssemos acordados”, diz.  Para ela, o monitoramento de milhares de pessoas, em áreas geográficas diferentes, e ao mesmo tempo, é um dos aspectos mais inovadores do estudo, em termos epidemiológicos. “Demonstrar, com gráficos, que quanto mais a temperatura é elevada, mais o sono é curto, é interessante. Como vamos dormir em determinadas condições se o aquecimento global se acentuar ao longo dos anos? ”, questiona. O clima quente e seco é o pior para dormir, ressalta a especialista. A psiquiatra francesa alerta, porém, para o risco de conclusões precipitadas que correlacionem as mudanças climáticas ao sono e critica algumas das conclusões do estudo. “Será que esse cenário é algo que vai de fato se concretizar, e que vai fazer, como diz o estudo, que nosso sono seja modificado de maneira drástica? Ao ponto de gerar uma perda de horas de repouso? É um estudo prospectivo, ainda não temos nenhuma certeza de que as coisas vão evoluir dessa maneira”, reitera. Isso não desmerece a constatação, frisa, de que as altas temperaturas causadas pelo efeito estufa, no futuro, possam de fato diminuir o tempo de descanso noturno. Sesta, uma aliada do cérebro Existem soluções para ajudar o corpo quando a temperatura sobe demais e fica difícil dormir? Em países como a Espanha e a Grécia, por exemplo, muito quentes no verão, os moradores adaptam seus horários. Como as noites de sono são mais curtas, as sestas vespertinas já se incorporaram à rotina. Esse hábito pode ser muito benéfico para compensar noites mal dormidas, independentemente do aquecimento global, reitera a especialista francesa.  Ela lembra que outros fatores já contribuem para que o sono do homem moderno seja afetado de maneira duradoura. O principal deles é a industrialização e a emergência de um modo de vida que impede que as pessoas descansem quando sentem necessidade. Isso fez com que a “dormidinha” do meio da tarde, por exemplo, caísse em desuso, mesmo em países quentes, impactando na qualidade do sono, menos profuno. “Por diferentes razões, de ordem cronobiológica, temos dois momentos ideais para dormir: de noite, por volta das 3h da manhã, ou senão de tarde, no meio do dia”, explica.  Como esse ritmo foi estabelecido? Uma hipótese é que nossos ancestrais pré-históricos não podiam dormir a noite toda, já que estavam expostos aos riscos dos predadores ou tribos inimigas, por exemplo. A chegada da luz elétrica, em 1879, rompeu definitivamente com nosso funcionamento natural, que dependia do sol, das estações e dos riscos ambientais. Neste contexto, a sesta pode ser uma aliada importante para reestabelecer o que a psiquiatra francesa descreve como a fisiologia normal do sono. “Quando não dormimos o suficiente, estamos expostos a várias complicações, principalmente cardiovasculares. Mas há também consequências imunológicas. A imunidade pode cair, o metabolismo ser modificado, e o risco de desenvolver uma depressão é maior. ” A conclusão é que o aquecimento global pode induzir a população a ter menos horas de sono, o quem já vem ocorrendo há décadas com a industrialização. Mas, é possível modificar os hábitos e evitar que a saúde seja afetada a longo prazo.
    6/14/2022
    7:52
  • Uso de anti-inflamatórios não-esteroidais pode induzir dor crônica, mostra estudo
    A pesquisa foi realizada por um grupo de 20 cientistas de quatro laboratórios diferentes em dois países e publicada em maio na revista Science Translational Medicine. Entre eles está o fisioterapeuta Lucas Vasconcelos Lima, da Universidade McGill, no Canadá, e outros três brasileiros. Taíssa Stivanin, da RFI O estudo foi dividido em três partes e incluiu a análise da base de dados britânica conhecida como UK Biobank, uma das maiores do mundo, com mais de 500 mil pacientes.  “Avaliamos se havia uma correlação entre o uso de anti-inflamatórios não-esteroidais e a presença de dor crônica seis meses, um ano e dois anos após a primeira consulta na fase aguda”, explicou Lucas Vasconcelos à RFI. Os anti-inflamatórios sem esteroides bloqueiam a ação das prostaglandinas –  grupos de lipídios que atuam em diferentes processos orgânicos, incluindo a inflamação. O efeito foi observado com doses normais de remédios como o ibuprofeno, um dos medicamentos anti-inflamatórios mais utilizados no Reino Unido. “Comparamos com outros analgésicos, que não são anti-inflamatórios, usados para a dor, como o paracetamol e antidepressivos, mas só o ibuprofeno mostrou essa correlação com o aumento da dor crônica”, reitera o pesquisador brasileiro.  Um dos objetivos da equipe, explica, era analisar como ocorria essa transição da dor aguda para a crônica. A dor aguda tem um importante papel, lembra o cientista brasileiro, e sua função é proteger o organismo. “Quando você encosta em uma panela quente é importante que você sinta dor para aprender a se afastar e proteger a área que foi lesionada”, salienta.  Segundo ele, normalmente a dor desaparecerá no máximo em três meses, com a reparação dos tecidos e a cicatrização. Em algumas pessoas, entretanto, ela se torna crônica, mesmo após o desaparecimento da lesão. “Essa dor deixa de ter uma função protetora e se torna, por si só, uma doença”, observa. Genética conta A propensão a desenvolver a dor crônica também foi estudada pela equipe. Para isso, o laboratório de genética da universidade Mc Gill, envolvido no estudo, coletou sangue de pacientes que tiveram dores lombares, no momento da crise aguda, e após três meses.  Os curados, ou seja, que não desenvolveram dores crônicas, ativavam genes associados à inflamação, enquanto no outro grupo, nada foi detectado. “Aparentemente, nada aconteceu. É como se o sistema imune tivesse estagnado, sem nenhuma alteração”, observa. A partir desse dado, surgiu a hipótese de que o processo inflamatório tinha uma função protetora. Os pesquisadores então desenvolveram a terceira parte do estudo, em camundongos. A ideia, conta Lucas Vasconcelos, era descobrir se o bloqueio da inflamação com medicamentos poderia desencadear a dor crônica.  A equipe testou diferentes “modelos” de dor: inflamatória, neuropática, e lombares, por exemplo. Em seguida, os animais foram tratados com a dexametasona, um corticoide com um potente efeito anti-inflamatório. “O tratamento com dexametasona aumentou a duração da dor de 12 para 120 dias”, conta. Os pesquisadores também testaram o diclofenaco, outro anti-inflamatório não-esteroide, e analgésicos que não têm ação anti-inflamatória, como a morfina, a lidocaína e a gabapentina. Apenas o diclofenaco prolongou a dor, o que corrobora a conclusão da análise dos dados da UKBiobank. Tratar dor sem anti-inflamatórios “O processo inflamatório tem a função de remover bactérias, infecções e células mortas, para então promover o reparo tecidual. Interferindo nesse processo, você impedirá que o corpo desenvolva seu procedimento normal de reparo dos tecidos e resolução da dor”, ressalta o pesquisador.  A equipe ainda descobriu ao longo do estudo que a resposta à inflamação também pode estar condicionada à produção dos neutrófilos, células sanguíneas do chamado sistema imune inato, produzidas na fase inflamatória. Isso pode gerar pistas para a produção de futuros medicamentos. Por enquanto, a hipótese é que o ideal seria tratar a dor aguda sem anti-inflamatórios, para não interferir no processo de reparo tecidual e resolução da dor. A equipe agora espera desenvolver em breve o estudo clínico com humanos, para comprovar o que demonstrou a pesquisa com animais.
    6/7/2022
    5:14
  • Como diferenciar os problemas de memória e de atenção no cotidiano?
    Quem nunca esqueceu a chave de casa, o celular no trabalho ou uma palavra que estava na ponta da língua? Esses esquecimentos fazem parte do cotidiano, mas em alguns casos eles podem ser o sintoma de patologias cerebrais, que resultam na degeneração ou morte dos neurônios. Como diferenciar um simples esquecimento de uma patologia, como o Mal de Alzheimer? Segundo o neurologista Julien Lagarde, que atua no setor de Neurologia da Memória e da Linguagem do Hospital Sainte Anne, em Paris, é necessário distinguir dificuldades de memória e de atenção, que podem gerar "panes" cognitivas similares no dia a dia. “Há fatores que observamos no cotidiano de nossos pacientes e que devem ser levados em conta: a idade, claro, e o contexto psicológico, como a qualidade do sono, que devem ser investigados”, declarou o especialista em entrevista ao programa Priorité Santé, da RFI. O sono de má qualidade e o uso de soníferos também podem alterar as funções cognitivas, ressalta. O neurologista explica que a anamnese —  a conversa do paciente com o especialista durante a consulta —, é um elemento precioso para compreender a frequência e natureza desses esquecimentos. Entrar em um outro cômodo da casa e não se lembrar mais o porquê de estar ali, ou se esquecer do nome de alguém, por exemplo, são reclamações comuns e recorrentes. Ambas as situações, diz o neurologista, estão mais relacionadas à atenção do que à memória ou doenças degenerativas. Por que então algumas pessoas vivem perdendo tudo e se esquecendo de tudo, o tempo todo? “Não funcionamos todos da mesma maneira em termos cognitivos e isso inclui a memória”, frisa o neurologista. Há diferentes personalidades e múltiplas variações, inclusive cerebrais, que estão dentro da normalidade.   “Alguns modos de funcionamento são mais propícios a reter informações e a esquecer menos”, explica o especialista francês. Outras pessoas, por razões individuais e não necessariamente patológicas, terão mais dificuldades de focalizar a atenção. De um modo geral, esquecer, aliás, é uma necessidade, para que o cérebro não fique saturado. As redes neuronais que são inicialmente ativadas na formação das lembranças estão situadas na região do hipocampo, nos lobos temporais. “A informação vai ser tratada e internalizada e os neurônios no hipocampo atuam nesse momento. Em seguida a recordação será tratada, internalizada e consolidada. Outras regiões cerebrais são então ativadas, de acordo com o tipo de estimulação, informação ou modalidade sensorial. É uma espécie de rede que integra as regiões corticais”, explica Julien Lagarde, Essa região, em conjunto com a parte frontal do cérebro, também atuará para que o indivíduo possa se lembrar da informação e utilizá-la no momento oportuno. Múltiplos fatores Infecções, sobrecarga mental, sono, mas também lesões microvasculares, por exemplo, podem afetar a memória e só um especialista será capaz de identificar a causa do problema. As lesões vasculares, por exemplo, podem ser assintomáticas e visíveis apenas em exames, como a ressonância magnética, que permite observar em detalhes a irrigação cerebral. Há também os bons hábitos que podem ser adotados no cotidiano. Além de serem úteis na prevenção de diversas doenças, eles ajudam a preservar a memória. “É preciso manter uma higiene de vida satisfatória, com uma alimentação equilibrada e atividade física regular, como sabemos. Manter seus hobbies e evitar o isolamento”, ressalta o especialista francês. “Para mim a regra continua sendo a mesma: ter atividades suficientemente diversificadas. Isso é que vai ajudar a memória”, conclui.
    5/31/2022
    8:50
  • As mulheres sentem mais dor do que os homens?
    A questão gera debate no mundo científico, envolve fatores sociais e biológicos e é objeto de diversas pesquisas que tentam detalhar os mecanismos que explicariam a diferença entre os dois sexos. Taíssa Stivanin, da RFI As mulheres são biologicamente mais sensíveis à dor, mas essa percepção coletiva é acentuada por fatores psicossociais que não podem ser ignorados. É o que explica a farmacologista francesa Gisèle Pickering, especialista em dor no Hospital Universitário de Clermont-Ferrand, no centro da França. Apesar das evidências que demonstram uma maior propensão feminina aos episódios dolorosos, a maneira como muitos estudos foram feitos nos últimos 20 anos altera a interpretação das conclusões.“Houve muitos estudos feitos com cobaias machos, o que faz com que os resultados sejam distorcidos”, ressalta a cientista francesa. Os estudos epidemiológicos com grandes coortes (grupos grandes de pessoas com características comuns) também podem ser questionados, mas, desta vez, por outra razão. “As mulheres respondem aos questionários com mais facilidade”, explica a cientista francesa. Em 2004, uma pesquisa realizada com mais de 30 mil pacientes na França mostrou que cerca de 30% da população adulta sofre de dor crônica – uma porcentagem que tende a aumentar nas próximas décadas. A pesquisa também revelou que há mais mulheres do que homens nesse grupo. Um dos motivos é a prevalência de doenças como a endometriose - que raramente atinge os homens - no público feminino. “Os estudos mostram, em geral, que há mais casos de cansaço crônico, fibromialgia, cistite, dores na região das têmporas e nas mandíbulas entre as mulheres”, cita a pesquisadora francesa. Ela lembra que socialmente é mais “aceitável” que uma mulher exprima sua dor do que um homem. “É comum ouvirmos o termo 'doença de mulher', e isso faz com que elas sejam estigmatizadas”, observa. Fatores biológicos contribuem para sensação dolorosa As mulheres têm, comprovadamente, uma sensibilidade biológica maior à dor, associada à ação hormonal, embora fatores culturais e sociais não possam ser desconsiderados. “Os estrogênios contribuem para a sensibilidade maior das mulheres à dor, e é por isso que elas são mais ou menos sensíveis às sensações dolorosas durante o ciclo menstrual. No homem isso é muito mais regular. Esse é um fator biológico conhecido”, ressalta Gisèle Pickering. Os aspectos psicossociais também devem ser levados em conta: a maior exposição das mulheres às situações de violência ou abuso sexual, por exemplo, pode desencadear a chamada memória da dor e até a depressão. A hipótese de que o organismo da mulher, ao ser mais propenso à dor, a prepare para um futuro parto, também é plausível. Há, ainda, diferenças cerebrais. “Abusos na infância ou experiências traumatizantes, como o luto, podem ser vividas de maneira diferente por um homem ou uma mulher, em nível emocional e também cerebral, com a ativação, nos dois sexos, de estruturas cerebrais diferentes”, explica.“É preciso ter em mente que há o aspecto biológico, que não podemos mudar, e o psicossocial, que é muito complexo." Testes clínicos ocorrem basicamente em homens A farmacologista francesa ainda lembra que a genética pode ter um papel importante. “Ainda não sabemos, por exemplo, se os genes envolvidos na dor, depressão ou falta de sono são diferentes nas mulheres e nos homens”, exemplifica. Há poucos dados sobre como, geneticamente, homens e mulheres sentem dor ou metabolizam os medicamentos. Diversos estudos feitos a partir dos anos 90 com a morfina, um potente analgésico, não demonstraram uma grande diferença entre os dois sexos e não foram conclusivos. Atualmente, a posologia dos remédios não é adaptada em função do gênero, mas o problema é ainda mais complexo: a maioria dos testes clínicos dos fármacos disponíveis no mercado foi feita com homens. “Colocamos muitos medicamentos no mercado, imaginando que não haveria diferença entre homens e mulheres, mas, na realidade, não sabemos”, diz Gisèle Pickering. Antidepressivos como o Prozac, exemplifica, são mais usados pelas mulheres, mas foram testados principalmente em homens. Custo alto A recomendação para incluir mais mulheres nas fases dos testes clínicos dos medicamentos existe desde o ano 2000, mas isso custa mais caro para a indústria farmacêutica. Para que os estudos clínicos pudessem ser validados, as participantes deveriam ter o ciclo menstrual sincronizado, uma exigência organizacional que encareceria o custo dos testes. Para aprofundar a questão, a pesquisadora francesa realiza um estudo em parceria com os hospitais universitários de Genebra para analisar as diferenças genéticas entre homens e mulheres que poderiam influenciar na dor e no metabolismo dos medicamentos. Muito além das questões de gênero, a especialista busca descobrir se é preciso adaptar os tratamentos. “Será que deveria ser diferente para as mulheres?”, questiona.
    5/24/2022
    5:50

Über SAÚDE

Sender-Website

Hören Sie SAÚDE, Hitradio Ö3 und viele andere Radiosender aus aller Welt mit der radio.at-App

SAÚDE

SAÚDE

Jetzt kostenlos herunterladen und einfach Radio & Podcasts hören.

Google Play StoreApp Store

SAÚDE: Zugehörige Sender