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UM PULO EM PARIS

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  • França tem sétima onda da Covid-19 com mutação de variante da ômicron
    O verão começou na França com forte calor e a sétima onda da Covid-19. A marca simbólica de 100 mil casos positivos detectados em um único dia foi novamente atingida. No intervalo de sete dias, 58 mil pessoas foram contaminadas diariamente, o dobro do registrado no início do mês. As infecções estão em alta em todas as regiões do país e faixas etárias. O rápido aumento de casos é provocado por subvariantes da ômicron. A sétima onda da Covid-19 é causada por duas cepas semelhantes — BA.4 e BA.5 —, derivadas da linhagem BA.2 da ômicron, que provocou os surtos epidêmicos de janeiro e abril na França. Os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que a BA.5 está se tornando predominante, presente em 64% dos resultados positivos. As filas para testes estão de volta nos laboratórios e nas tendas instaladas nas ruas.  A França ainda está longe da média diária de 140 mil casos registrados em março ou dos 350 mil do final de janeiro, em pleno inverno. No entanto, essas subvariantes carregam mutações que preocupam os médicos. Uma delas, a 452R, que estava presente na delta – mas não na ômicron BA.2 – facilita a transmissão do vírus. A outra mutação, denominada 486V, pouco conhecida, parece escapar aos anticorpos adquiridos pela vacinação ou por uma infecção recente de Covid-19, segundo Samuel Alizon, diretor de estudos no Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) e Mircea Sofonea, professor de epidemiologia na Universidade de Montpellier (sul). De acordo com os pesquisadores, além de resistir aos anticorpos, o impacto da BA-4 e da BA-5 no sistema respiratório é um pouco maior do que as infecções do início do ano. Um estudo da Universidade de Tóquio mostrou que essas subvariantes favorecem a infecção das células pulmonares mais do que tecidos das vias respiratórias superiores, provocando no organismo sintomas semelhantes aos da delta e da alfa. Cansaço, tosse, febre e dor de cabeça são os sintomas mais frequentes e, em algumas pessoas, têm aparecido distúrbios digestivos. Existe um histórico de observação dessas duas subvariantes, porque elas atingiram Portugal em maio e tinham surgido na África do Sul desde dezembro do ano passado. Porém, na França, no Reino Unido e na Itália os casos têm aumentado rapidamente. E falta aos médicos entender com precisão até que ponto essa mutação 486V consegue contornar o sistema imunitário e provocar formas graves da doença.  Hospitalizações em alta O número de hospitalizações aumentou nos últimos dez dias, principalmente entre idosos com mais de 80 anos. A média de internações diárias por Covid-19 estava em 400 casos na primeira semana de junho e passou para 635 pacientes em 22 de junho. Atualmente, 14.500 pessoas estão hospitalizadas com Covid-19 em todo o país. A maioria recebe tratamento para aliviar sintomas relativamente benignos, sem precisar de cuidados intensivos. Globalmente, as internações em UTI continuam recuando na França, mas a calmaria pode ser temporária. O receio dos médicos é que esse quadro se agrave, se o surto epidêmico não entrar em uma trajetória de queda, como aconteceu em Portugal. Em entrevistas a programas de rádio e TV, especialistas têm aconselhado os franceses a usar novamente máscaras em locais fechados, principalmente no transporte público. Diante do aumento rápido de casos, os médicos estão irritados com a falta de reação do governo. A ministra da Saúde, Brigitte Bourguignon, disse que por enquanto não era necessário restabelecer medidas de restrição drásticas. O uso de máscaras, por exemplo, só continua obrigatório em hospitais, farmácias e casas de repouso. Junho, julho e agosto são meses de festivais e shows em todo o país. Nesta sexta-feira (24), a cantora brasileira Marisa Monte se apresenta na sala Pleyel, uma das mais prestigiosas de Paris, mas oficialmente todas as restrições estão suspensas. Os turistas voltaram em massa à capital e pouca gente parece se dar conta da existência da sétima onda da Covid-19. Quarta dose insuficiente A quarta dose da vacina contra a Covid-19 só é oferecida para pessoas com imunodeficiência, de qualquer idade, ou com mais 60 anos. Por enquanto, apenas 26,5% dos franceses da faixa etária de 60 a 79 anos tomaram a quarta dose do imunizante e 30,1% dos idosos acima de 80 anos. Por isso, os especialistas temem ser pegos por um aumento repentino de internações nos hospitais, num momento em que a rede pública de saúde atravessa uma grave crise por falta de enfermeiros e plantonistas. Entrada livre para turistas Desde 14 de março, a França deixou de exigir passaporte vacinal. O certificado só é pedido no acesso a hospitais e casas de repouso. Não há restrição para pessoas não vacinadas viajarem na França. Na Europa, quem não foi imunizado pode entrar na maioria dos países, exceto em Portugal e na Finlândia, que continuam a exigir um teste PCR negativo de menos de 72 horas de validade.
    6/24/2022
    15:42
  • Em plena onda de calor, questão climática fica fora da campanha das eleições legislativas na França
    A França vai às urnas neste domingo (19) para o segundo turno das eleições legislativas, cruciais para o governo do presidente Emmanuel Macron. No entanto, uma das principais promessas do chefe de Estado e da oposição ficou fora do debate durante a campanha: uma política ambiental ambiciosa. Nem mesmo a onda de calor que a França vive neste momento trouxe à tona o debate sobre as questões climáticas.  Daniella Franco, da redação da RFI Os alertas que vêm sendo feitos por cientistas e especialistas devido às altas temperaturas nesses últimos dias não foram suficientes para convencer os candidatos e as lideranças políticas a tratar do aquecimento global antes da votação de domingo. As questões climáticas já haviam ficado de fora da campanha para o primeiro turno e foram definitivamente descartadas antes do segundo turno. A priorização do meio ambiente foi uma das principais promessas de campanha do presidente Emmanuel Macron. Na campanha para a eleição presidencial, em abril, ele fez um discurso contundente, em Marselha, no sul da França, estritatemente dedicado às questões climáticas. Na época, o presidente prometeu nomear um primeiro-ministro encarregado da transição ecológica, disse que a França seria a primeira grande nação a deixar de utilizar gás, petróleo e carvão, previu o plantio de 140 milhões de árvores até 2030, e até uma "Festa da Natureza", que seria realizada todos os anos, para a promoção dessa política ecológica e conscientizaçao da população.  Mas as promessas foram esquecidas não só por Macron, pelo partido dele – a República em Marcha – ou pela coalizão centrista "Juntos", da qual sua legenda faz parte, formação que se organizou para as eleições legislativas. Do outro lado do fronte, a decisão de deixar o meio ambiente de lado não é muito diferente.  A Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), coalizão da esquerda formada especialmente para as eleições legislativas, também colocou as questões climáticas em segundo plano. A aliança é liderada pelo principal representante da esquerda radical na França, Jean-Luc Mélenchon. Quando foi candidato à presidência, em abril, por seu partido A França Insubmissa, seu programa foi considerado como o mais ambicioso nas questões ambientais, mais até do que o programa do partido Europa Ecologia Os Verdes.  Na época, o programa de Mélenchon propôs baixar em 65% as emissões de gases de efeito estufa (contra o objetivo fixado hoje pelo governo francês de redução de 40%), aumentar impostos às empresas mais poluentes, fechar as usinas nucleares para focar no desenvolvimento da energia eólica, entre outros. No entanto, agora que a Nupes tem grandes chances de conseguir um resultado importante nas eleições legislativas, o debate sobre o meio ambiente foi praticamente esquecido, até mesmo pelo partido Europa Ecologia Os Verdes, que integra a aliança de esquerda.  Da parte da direita, o debate e as propostas para o meio ambiente são ainda mais fracos. A aliança de direita – liderada pelo partido Os Republicanos, do ex-presidente Nicolas Sarkozy –  apresenta seu programa ambiental junto com as propostas para a área da saúde e da segurança alimentar, mas de forma vaga. Propõe baixar as emissões de gas carbônico, desenvolver biocombustíveis, apoiar uma agricultura “inovadora”, mas sem uma meta precisa ou aprofundar as propostas.  Já o programa do partido de extrema direita Reunião Nacional – que pode se tornar a quarta força política na Assembleia da França – é o que menos apresenta propostas para o meio ambiente. A legenda não tem, por exemplo, nenhum sugestão para lutar contra o aquecimento global, deixando claro que a questão não faz parte de suas prioridades. Como já era de se esperar, o Reunião Nacional foca em assuntos tradicionais da extrema direita, como imigração, segurança e poder aquisitivo: uma das grandes preocupações dos franceses neste momento.  Interesse dos franceses no meio ambiente  Uma pesquisa divulgada pelo instituto Ipsos em 12 de junho mostrou que o meio ambiente ocupa o terceiro lugar entre as preocupações do eleitorado francês atualmente. As mudanças climáticas foram citadas por 31% das pessoas interrogadas e 42% dos jovens entre 18 e 24 anos. Essa preocupação fica atrás de outra prioridade para os cidadãos, o sistema público de saúde, atualmente palco de uma crise sem precedentes, que se degradou ainda mais após os dois anos de pandemia de Covid-19. A preocupação número um dos franceses hoje é o poder aquisitivo, considerado uma prioridade para 53% do eleitorado. Segundo o instituto Ipsos, a metade dos eleitores que participou do primeiro turno das eleições legislativas no último domingo (12), foi votar pensando no poder aquisitivo.  Salários, impostos, o preço da gasolina ou de produtos alimentícios mobilizam o eleitorado neste momento, independentemente da faixa etária, profissão, local de residência (grandes cidades ou meio rural). Essa preocupação é compartilhada pelos eleitores de todas as tendências, seja esquerda, centro, direita ou extrema direita. A França vive há anos uma crise social, que se juntou à crise econômica pós-pandemia, e se agravou com o aumento dos preços e da inflação após a guerra na Ucrânia. Desta forma, o meio ambiente, não está no foco da campanha das eleições legislativas.  Último dia de campanha A dois dias da votação, o clima esquenta entre os candidatos e partidos pela busca de votos. Macron teve dificuldades para encontrar uma estratégia que barrasse a progressão da Nupes e, durante a semana, fez um apelo para que os eleitores votassem na coalizão do centro, sugerindo que o voto na esquerda poderia causar "uma desordem" na França. De fato, se perder a maioria absoluta na Assembleia, como apontam as pesquisas, o presidente vai ter dificuldades em adotar medidas e realizar as reformas que prometeu. As opiniões dos franceses estão divididas: uma sondagem divulgada nesta sexta-feira (17) pelo instituto Ipsos-Sopra Steria mostra que 53% do eleitorado quer que a coalizão de centro seja vencedora, mas 46% dos franceses diz querer uma maioria de deputados de esquerda e Jean-Luc Mélenchon como primeiro-ministro.  Embora não deva manter a maioria absoluta, a coalizão de Macron deve continuar numerosa: com entre 265 a 305 cadeiras do total de 577. A Nupes chega logo depois e deve obter entre 140 e 180 assentos. A união da direita deve conseguir até 80 cadeiras e o partido de extrema direita Reunião Nacional pode obter até 50 assentos na Assembleia Francesa. A grande questão é se o eleitorado irá se mobilizar. No primeiro turno das legislativas, 52,49% dos franceses não foram votar. Alguns institutos de pesquisa apontam que a participação pode ser ainda menor no domingo. A onda de calor também pode trazer consequências nas urnas: muitos cidadãos resolveram viajar para escapar das altas temperaturas e não devem comparecer à votação.
    6/17/2022
    13:58
  • Macron derrotou a extrema direita, mas é a esquerda que ameaça seu mandato nas eleições legislativas
    Os franceses votam no  próximo domingo (12) no primeiro turno das eleições legislativas. Cerca de 6.300 candidatos disputam as 577 vagas da Assembleia Nacional, entre eles 15 ministros e secretários de Estado recém-nomeados para o governo. A campanha para a renovação do Legislativo é marcada por dois fenômenos: o avanço dos candidatos de esquerda nas pesquisas e um recuo da extrema direita, derrotada no segundo turno da eleição presidencial. A disputa está apertada. A principal interrogação é se o presidente Emmanuel Macron poderá contar com a maioria absoluta no plenário da Assembleia Nacional, o que significa eleger 289 dos 577 deputados, ou se governará com maioria relativa, ficando dependente de acordos com a oposição para aprovar os projetos de lei e reformas do Executivo.   O principal fenômeno dessa campanha é o avanço da aliança de esquerda Nupes, que reúne os partidos de esquerda radical, ecologista, comunista e socialista liderados por Jean-Luc Mélenchon, terceiro colocado no primeiro turno da eleição presidencial. Mélenchon, um político experiente e reconhecido por seu talento de orador, foi muito hábil na articulação dessa aliança de esquerda. Em poucas semanas, ele conseguiu mobilizar eleitores que tinham votado em Macron sem convicção, apenas para barrar a candidata de extrema direita de Marine Le Pen. Desde a noite da reeleição de Macron, em 24 de abril, Mélenchon ocupou o espaço na mídia e se impôs como a principal liderança de oposição ao presidente. Todas as pesquisas apontam um aumento das intenções de voto na aliança de esquerda, com pequenas variações. A última pesquisa do instituto Ipsos, por exemplo, mostra os candidatos da Nupes em primeiro lugar, com 28% das intenções de voto, seguidos de perto pela coligação Juntos (27,5%), formada pelo partido presidencial e três aliados menores de centro e de direita. A extrema direita aparece em terceiro lugar (19,5%). A direita republicana vem atrás, na quarta posição (11%), cinco pontos à frente do outro partido de extrema direita que emergiu na campanha presidencial, o Reconquista (6%), fundado pelo polemista Éric Zemmour.  Apesar de a esquerda estar à frente nas intenções de voto, as projeções de deputados eleitos no Parlamento ainda são favoráveis aos governistas, por causa do sistema de votação majoritário em dois turnos. Os candidatos são eleitos proporcionalmente e em lista aberta. De acordo com a pesquisa Ipsos, a coligação de Macron pode eleger de 260 à 300 deputados, enquanto a aliança de esquerda contaria com 175 à 215 parlamentares. Tudo vai depender da taxa de abstenção, que pode chegar a 54% dos eleitores, e da migração de votos dos derrotados entre os dois turnos. O futuro do programa presidencial depende dos resultados de 30 a 50 circunscrições. Extrema direita perde força após derrota na presidencial Enquanto a esquerda se uniu para enfrentar os governistas, a extrema direita disputa as legislativas dividida. O partido de Marine Le Pen, Reunião Nacional, apresenta 569 candidatos em listas espalhadas em todo o país, mas a direção concentra os recursos de campanha em 150 concorrentes. Marine Le Pen tenta profissionalizar o partido e recrutar jovens candidatos, mas desde as primeiras horas da campanha, as novas caras do RN causaram decepção. Aspirantes ao Parlamento foram enviados a programas de TV sem conseguir sequer esclarecer dúvidas sobre o programa da legenda. A falta de quadros é uma dificuldade conhecida dos nacionalistas, que sempre estiveram divididos em grupelhos. Marine Le Pen disputa um mandato de deputada por uma circunscrição do norte da França e deve ser eleita. A irmã mais velha da família, Marie-Caroline Le Pen, tenta uma vaga na Assembleia por uma circunscrição da região parisiense, mas não é favorita.  Os candidatos da aliança de esquerda são mais bem preparados e convincentes. No caso da coligação Juntos, de Macron, o presidente avaliou pessoalmente cada candidatura, e os outros três partidos aliados, de centro e de direita — Modem, Horizontes e Agir —, disputam com políticos experientes.  O que pode acontecer se a esquerda ganhar?  O pior cenário para Macron seria perder a maioria que detém no Parlamento. A França tem um sistema político semipresidencialista. O presidente é eleito por voto direto, acumula a chefia das Forças Armadas e desempenha um papel mais forte do que no sistema parlamentarista, pois ele pode nomear o primeiro-ministro, dissolver a Assembleia de Deputados, propor reformas e controlar a política externa do país.  Juridicamente, Macron tem o direito de nomear quem ele quiser para o cargo de primeiro-ministro. Mas, se a oposição conquistar a maioria na Assembleia, e isso já aconteceu três vezes no passado — em 1986, 1993 e 1997 —, Macron seria comparado aos presidentes anteriores, que nomearam o líder da oposição como primeiro-ministro. Durante toda a campanha, Mélenchon pediu aos franceses que votassem na aliança de esquerda para elegê-lo o próximo premiê. Nas três experiências que a França teve no passado, os chefes de governo de coabitação, como se diz no jargão político francês, conseguiram imprimir sua marca. Mélenchon defende um programa que alimenta controvérsias. Sem entrar na guerra de números dos economistas de um campo e do outro, ele quer aumentar fortemente os impostos para os 10% mais ricos e diminuir a pressão fiscal sobre 90% da população, enquanto Macron promete não aumentar os impostos, apesar da queda do crescimento e da alta da inflação, e mantém o fim programado de algumas taxas.  Com relação à aposentadoria, Mélenchon quer recuar a idade mínima dos atuais 62 anos para 60 anos, enquanto Macron quer aumentar essa idade para 64 ou 65 anos.  Em política externa, as propostas entre os dois políticos são radicalmente diferentes: o acordo dos esquerdistas e Mélenchon defende a desobediência aos tratados da União Europeia e a saída da França do comando integrado da OTAN, num primeiro momento, seguida de uma retirada completa do país da aliança militar ocidental.  No atual contexto de guerra na Ucrânia, Macron, que venceu a eleição presidencial defendendo um aumento de influência da União Europeia no cenário geopolítico dominado por Estados Unidos e China, diz que os adversários de extrema esquerda e extrema direita "têm uma visão de mundo de volta ao passado", e pede aos eleitores uma maioria forte e clara para governar.    Para reforçar sua legitimidade após uma vitória menos reluzente do que em 2017, Macron envia 15 dos 28 ministros e secretários de Estado recém-nomeados pela primeira-ministra Elisabeth Borne à batalha das urnas. A própria chefe de governo é candidata a um mandato de deputada em uma cidadezinha da Normandia. Segundo a regra instituída pelo presidente de centro-direita, os assessores que perderem a eleição terão de renunciar ao governo. Aqueles que vencerem permanecerão em seus cargos e serão substituídos na Assembleia Nacional por um suplente.  Esse sistema, que favorece as elites e impede uma renovação política em profundidade no país, é muito criticado e apontado como uma das razões do desamor dos eleitores franceses pela política nos últimos anos. No caso de Macron, ele exige que os ministros e secretários de Estado enfrentem as urnas numa tentativa de ganhar legitimidade, já que compôs seus dois governos com tecnocratas, funcionários de alto escalão e poucas personalidades da sociedade civil. Macron exige que eles se submetam ao crivo dos eleitores para compreender as dificuldades e nuances da política.
    6/10/2022
    15:50
  • Hospitais públicos franceses estão ameaçados de colapso por falta de pessoal no verão
    A um mês do início das férias de verão na França, os hospitais públicos do país enfrentam a pior crise em 40 anos por falta de enfermeiros, técnicos em radiologia e médicos. Dos 650 hospitais que contam com unidades de pronto-socorro em todo o país, 120 reduziram o atendimento. Vários serviços de emergência têm fechado durante a madrugada ou no fim de semana.  Em algumas cidades francesas, a situação é dramática. Em Chinon, na turística região de castelos do Vale do Loire, o único pronto-socorro municipal e a maternidade fecharam há 15 dias por falta de pessoal. A situação também está tensa na região parisiense, com cerca de 20% dos leitos de UTI fechados na rede pública. Por falta de pessoal, 30% dos blocos operatórios na região da capital estão paralisados. Os cirurgiões são obrigados a adiar as operações.  Médicos têm alertado que a crise já afeta a segurança dos pacientes. No hospital Pitié-Salpetrière, um dos maiores de Paris, o setor de neurologia vascular fechou mais da metade dos leitos que eram dedicados ao atendimento de emergência de pacientes com acidente vascular cerebral (AVC). No Hospital Universitário (CHU) de Bordeaux (sudoeste), que já ocupou várias vezes o primeiro lugar no ranking dos melhores estabelecimentos do país, a administração diz que não consegue recrutar 40 a 50% dos médicos necessários, em várias especialidades.  Pandemia agravou insatisfação no setor Em agosto de 2020, houve uma ampla negociação salarial no setor da saúde. O governo anunciou na época um pacote de € 30 bilhões de investimentos nos hospitais, incluindo € 10 bilhões para reajustes de salário. O pessoal de enfermagem, por exemplo, recebeu um aumento de € 183 por mês, mas essas medidas não foram suficientes para tornar a atividade nos hospitais mais atraente. A pandemia acentuou uma insatisfação que era denunciada há vários anos nos estabelecimentos públicos. Desde o ano 2000, governos sucessivos exigiram economias dos diretores de hospitais. Mas saúde de qualidade custa caro e, para cumprir as metas orçamentárias, houve fechamento de leitos e de vagas de trabalho. Os avanços na medicina também encareceram o atendimento, mas nesse caso a vantagem é dos usuários dos serviços.  Durante a pandemia, as condições no setor pioraram. Médicos e enfermeiros experientes pediram demissão, exaustos da falta de apoio do poder público e da rotina estressante. Diante da constante deterioração das condições de trabalho, os recém-formados perderam o interesse em trabalhar na rede pública e preferem os empregos em clínicas privadas ou se voltaram à atividade liberal, em consultórios.   Escassez de enfermeiros  Segundo o Sindicato Nacional de Profissionais de Enfermagem, existem atualmente 60 mil vagas abertas e não preenchidas para enfermeiros nos hospitais franceses. O piso salarial da enfermagem é de € 1.700 na rede pública, cerca de R$ 8.700. Essa remuneração pode parecer razoável, se comparada ao piso da categoria no Brasil, mas é considerada baixa para o custo de vida na França, mais elevado, principalmente nas grandes cidades. Os salários dos médicos são melhores, mas as duras condições de trabalho não atraem mais os profissionais como antigamente.  Os hospitais públicos perderam a aura de prestígio que tinham antes, embora permaneçam centros de excelência e de pesquisa médica importantes. Os franceses, que foram acostumados a acreditar que têm o melhor sistema público de saúde do mundo – e em parte é verdade, por ser universal e praticamente gratuito –, compartilham a apreensão dos profissionais do setor. Diante da escassez de pessoal, os diretores de hospitais se voltaram para o trabalho intermitente quando precisam cobrir um plantonista que fica doente, por exemplo. Esse serviço, oferecido por agências, tem atraído enfermeiros recém-formados pela remuneração um pouco mais alta e a liberdade de programação dos plantões. Uma enfermeira intermitente pode ganhar até € 2.500, quase R$ 13 mil, com vários contratos curtos e pode organizar a atividade profissional sem as obrigações de plantão noturno ou no fim de semana.   "Mortes no verão" O principal receio atualmente é que os hospitais públicos não terão condições de garantir o atendimento adequado na temporada de férias do verão. Após dois anos de pandemia, o pessoal hospitalar precisa de férias. O presidente do Sindicato Nacional dos Médicos Intensivistas, Patrick Pelloux, alertou a população que "pessoas vão morrer na fila do pronto-socorro". Ele aconselhou inclusive os franceses a escolher o local de férias em função da situação dos hospitais na região. O presidente Emmanuel Macron visitou esta semana um hospital em Cherbourg, na Normandia, e foi questionado por uma enfermeira indignada. Ela disse que ele "estava cansado de saber das condições precárias nos hospitais e nada fez para atenuar essa situação". A mulher também reclamou que o plano de investimentos aprovado em 2020 concedeu um aumento de 30% para as enfermeiras em início de carreira e mais dias de férias, enquanto os reajustes para os profissionais mais experientes foi proporcionalmente menor, mantendo as condições de trabalho sacrificadas.  Macron reconheceu que a situação nos hospitais franceses não será resolvida da noite para o dia. Ele pediu ao presidente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), François Braun, que apresente propostas emergenciais até 1° de julho, para evitar o colapso nos prontos-socorros. Mas tanto profissionais da saúde quanto senadores criticam a inércia do governo, e dizem que Macron só tenta ganhar tempo até o segundo turno das eleições legislativas, no dia 19 de junho. A difícil contratação de estrangeiros O governo francês poderia optar por incentivos à contratação de estrangeiros. Mas a equivalência de diplomas é um processo complexo na área da saúde. Não é impossível, mas é trabalhoso, leva tempo e costuma exigir estudos adicionais. Os salários baixos e as condições de trabalho consideradas rudes nos hospitais atraem poucos profissionais de países europeus. Durante a pandemia se viu até o contrário. Enfermeiras que moram em regiões fronteiriças da França optaram por trabalhar num país vizinho. Havia oferta de trabalho na Suíça, Bélgica e em Luxemburgo, onde se fala francês e os salários são mais vantajosos. O organismo que deve aprovar a equivalência de diplomas de profissionais de fora da União Europeia também é criticado pela demora na análise dos documentos.
    6/3/2022
    10:23
  • Final da Liga dos Campeões e torneio de Roland Garros trazem milhares de turistas a Paris
    A final da Liga dos Campeões entre o Liverpool e o Real Madrid neste sábado (28), no Stade de France, em Saint-Denis, subúrbio ao norte de Paris, deve trazer 110 mil torcedores à capital francesa até domingo. As autoridades reforçaram o policiamento para enfrentar um fim de semana excepcional em eventos. Esta quinta-feira, 26 de maio, foi um feriado católico na França — a festa da Ascensão, que comemora a ascenção de Jesus ao céu —, e muitos franceses "enforcaram" a sexta-feira de trabalho, prolongando o fim de semana. O tempo bom e a programação esportiva excepcional atraem um público diversificado à capital francesa, que também comemora o fim das restrições da Covid-19. Com a primeira semana do torneio de tênis de Roland Garros em andamento, mais a final da Liga dos Campeões, no sábado, Paris foi tomada por turistas e torcedores, tanto de outras regiões do país quanto estrangeiros. Entre a sexta-feira e o sábado, a expectativa é de que 70 mil torcedores ingleses e 44 mil espanhóis cheguem à capital para assistir à terceira decisão entre os Reds e os merengues na história da Champions.  Cerca de 6.800 policiais e militares foram mobilizados nos aeroportos, nas estações de trem e nos postos de pedágio das rodovias que dão acesso a Paris e Saint-Denis, onde fica o estádio, para orientar os torcedores. Os ingressos estão esgotados, e a principal preocupação das autoridades é evitar que as torcidas rivais se encontrem ao mesmo tempo no mesmo lugar. O policiamento também foi reforçado nas estações de metrô. Duas grandes fan zones foram instaladas na região, bem distantes uma da outra. Os torcedores espanhóis devem se dirigir ao Parque da Legião de Honra, em Saint-Denis, ao norte de Paris, enquanto os ingleses verão o jogo em uma fan zone no Parque de Vincennes, que fica do lado oposto da cidade, no 12° distrito da capital.  Praticamente não existem mais quartos disponíveis nos hotéis, e os preços cobrados pelos estabelecimentos estão estratosféricos. Na quarta-feira (25), a diária de um hotel quatro estrelas no 15° distrito de Paris estava custando € 1.000, cerca de R$ 5.000, mas havia concorrentes mais ousados pedindo até € 4.000 por uma noite, em torno de R$ 20.000. Perto da estação ferroviária Gare du Nord, onde chega o trem rápido (Eurostar) que faz a ligação entre Londres e Paris, os hotéis mais baratos, que normalmente cobram € 100 a diária, estavam pedindo € 300-350 por noite. O Escritório de Turismo de Paris tem uma projeção de 87% de ocupação nos hotéis e flats da capital neste fim de semana. Turismo internacional cresce desde abril Desde abril, o número de turistas estrangeiros em Paris começou a aumentar: ingleses, americanos, japoneses, brasileiros, europeus de outros países do bloco e turistas do Oriente Médio retomaram as viagens internacionais. A vida voltou ao normal, com o declínio da Covid-19. Só os chineses não voltaram, porque enfrentam agora o momento mais difícil da pandemia. Além dos estrangeiros, os franceses também mudaram de comportamento e têm preferido viajar pelo país, por várias razões.  Em primeiro lugar, as autoridades fizeram repetidos apelos para a população dar apoio à economia local. Com a pandemia, as pessoas também ficaram com mais receio de viajar para outros países e enfrentar, por exemplo, o aparecimento de uma nova variante da Covid-19 ou outra doença, e não encontrar as mesmas facilidades que desfrutam com o sistema de saúde gratuito oferecido no país. O estado de emergência ecológica e os chamados para um modo de vida mais sóbrio, menos poluente e nocivo para o planeta, têm sensibilizado segmentos da sociedade. Em 2021, a maioria dos franceses passou as férias de verão, em julho e agosto, dentro da França. Este ano será provavelmente igual, já que as reservas para os meses do verão estão adiantadas e em alta de 20% em relação à mesma época no ano passado.   O setor de hotelaria festeja um retorno da clientela que quase não acreditava mais recuperar, devido às novas modalidades de hospedagem. Mas as locações pelo Airbnb encareceram em Paris nos últimos dois anos, por causa do aumento de impostos cobrados pela prefeitura. Além disso, muitos proprietários venderam seus imóveis durante a pandemia, o que favorece a hotelaria tradicional. No início do ano, houve uma negociação coletiva que resultou em um aumentou de 16% nos salários de recepcionistas, camareiras e outros empregos na categoria.  Restaurantes enfrentam dificuldade para recrutar pessoal Por outro lado, os restaurantes buscam desesperadamente mão de obra e não conseguem recrutar pessoal. Existem atualmente 300 mil vagas abertas em todo o território francês para a temporada do verão, mas faltam candidatos. Alguns donos de restaurante têm oferecido prêmios em dinheiro para quem apresentar um chef de cozinha ou um pizzaiolo. As vagas para garçom também não suscitam interesse. As longas jornadas de trabalho, associadas a salários baixos, não atraem mais os trabalhadores. Para segurar os empregados que ficaram, depois da pandemia, alguns donos de restaurante reduziram os dias de serviço. Assim, ao invés de abrir sete dias por semana, por exemplo, eles funcionam apenas quatro dias. Pelo mesmo salário, os empregados têm mais folgas para se dedicar à família e descansar.  A alta de preços da energia, dos alimentos e o retorno da inflação também preocupam o setor. Para não repercutir esses aumentos no cardápio, os chefs têm procurado adaptar seus pratos a essa nova realidade, uma vez que o dinheiro também está curto para os franceses.
    5/27/2022
    18:19

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