O que nos intriga, aproxima e afasta da inteligência artificial? Porque é que nos deixamos seduzir e, ao mesmo tempo, assustar por ela?
Há poucos dias, circularam relatos de que existiria uma rede social habitada apenas por bots – programas concebidos para automatizar tarefas e simular interacções humanas – onde agentes de IA conversariam entre si, se queixariam dos seus humanos e inventariam uma língua secreta. Fascinante? Inquietante?
Esta ambivalência diante da máquina, que parece emancipar‑se e ultrapassar‑nos, não é nova. Muito antes da era digital, o século XVIII conheceu o fascínio pelos autómatos e multiplicou engenhos capazes de executar movimentos e tarefas “sozinhos”: pianos automáticos, caixas de música, bonecos articulados ou fonógrafos. Dispositivos exuberantes, perante os quais a alta sociedade se deixava iludir.
É nesse horizonte que Rui Tavares recupera a história do Turco Mecânico, o autómato que jogava xadrez nas cortes europeias a partir de 1770. Inventado por Wolfgang von Kempelen, foi apresentado como um jogador mecânico invencível, capaz de derrotar filósofos, aristocratas e, mais tarde, figuras como Benjamin Franklin ou Napoleão. Esse engenho que percorre a Europa e os Estados Unidos da América, porém, está longe de ser tão mecânico e tão autómato quanto aparenta, como acabará por se revelar.
O que escondia, afinal, o Turco Mecânico? E quem são estes bots que hoje se entretêm a falar de nós nas suas próprias redes? Estaremos perante uma tecnologia que se emancipa ou, como no século XVIII, diante de um ilusionismo sofisticado – um truque com pouca magia, mas com muito engenho?
A ilustração deste episódio foi feita com recurso a IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa.
See omnystudio.com/listener for privacy information.